{"id":113,"date":"2017-12-23T10:18:48","date_gmt":"2017-12-23T12:18:48","guid":{"rendered":"http:\/\/rubensbraz.com\/?p=113"},"modified":"2023-08-14T09:20:12","modified_gmt":"2023-08-14T12:20:12","slug":"romance-pavao-misterioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/romance-pavao-misterioso\/","title":{"rendered":"Romance do Pav\u00e3o Misterioso"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: right;\"><i><b>Cordel por Jo\u00e3o Melch\u00edades Ferreira da Silva<\/b><\/i><i><b> <\/b><\/i><\/div>\n<p>Eu vou contar uma hist\u00f3ria<br \/>\nDe um pav\u00e3o misterioso<br \/>\nQue levantou v\u00f4o na Gr\u00e9cia<br \/>\nCom um rapaz corajoso<br \/>\nRaptando uma condessa<br \/>\nFilha de um conde orgulhoso.<\/p>\n<p>Residia na Turquia<br \/>\nUm vi\u00favo capitalista<br \/>\nPai de dois filhos solteiros<br \/>\nO mais velho Jo\u00e3o Batista<br \/>\nEnt\u00e3o o filho mais novo<br \/>\nSe chamava Evangelista.<\/p>\n<p>O velho turco era dono<br \/>\nDuma f\u00e1brica de tecidos<br \/>\nCom largas propriedades<br \/>\nDinheiro e bens possu\u00eddos<br \/>\nDeu de heran\u00e7a a seus filhos<br \/>\nPorque eram bem unidos.<\/p>\n<p>Depois que o velho morreu<br \/>\nFizeram combina\u00e7\u00e3o<br \/>\nPorque o tal Jo\u00e3o Batista<br \/>\nConcordou com o seu irm\u00e3o<br \/>\nE foram negociar<br \/>\nNa mais perfeita uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dia Jo\u00e3o Batista<br \/>\nPensou pela vaidade<br \/>\nE disse a Evangelista:<br \/>\n\u2014 Meu mano eu tenho vontade<br \/>\nde visitar o estrangeiro<br \/>\nse n\u00e3o te deixar saudade.<\/p>\n<p>\u2014 Olha que nossa riqueza<br \/>\nse acha muito aumentada<br \/>\ne dessa nossa fortuna<br \/>\nainda n\u00e3o gozei nada<br \/>\nportanto conv\u00e9m qu&#8217;eu passe<br \/>\num ano em terra afastada.<\/p>\n<p>Respondeu Evangelista:<br \/>\n\u2013 Vai que eu ficarei<br \/>\nregendo os neg\u00f3cios<br \/>\ncomo sempre eu trabalhei<br \/>\ngaranto que nossos bens<br \/>\ncom cuidado zelarei.<\/p>\n<p>\u2013 Quero te fazer um pedido:<br \/>\nprocure no estrangeiro<br \/>\num objeto bonito<br \/>\ns\u00f3 para rapaz solteiro;<br \/>\ntraz para mim de presente<br \/>\nembora custe dinheiro.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Batista prometeu<br \/>\nCom muito boa inten\u00e7\u00e3o<br \/>\nDe comprar um objeto<br \/>\nDe gosto de seu irm\u00e3o<br \/>\nEnt\u00e3o tomou um paquete<br \/>\nE seguiu para o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Batista no Jap\u00e3o<br \/>\nEsteve seis meses somente<br \/>\nGozando daquele imp\u00e9rio<br \/>\nPercorreu o Oriente<br \/>\nDepois voltou para a Gr\u00e9cia<br \/>\nOutro pa\u00eds diferente.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Batista entrou na Gr\u00e9cia<br \/>\nDivertiu-se em passear<br \/>\nComprou passagem de bordo<br \/>\nE quando ia embarcar<br \/>\nOuviu um grego dizer<br \/>\nAcho bom se demorar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Batista interrogou:<br \/>\n\u2013 Amigo fale a verdade<br \/>\npor qual motivo o senhor<br \/>\nmanda eu ficar na cidade?<br \/>\nDisse o grego: \u2013 Vai haver<br \/>\nUma grande novidade.<\/p>\n<p>\u2013 Mora aqui nesta cidade<br \/>\num conde muito valente<br \/>\nmais soberbo do que Nero<br \/>\npai de uma filha somente<br \/>\n\u00e9 a mo\u00e7a mais bonita<br \/>\nque h\u00e1 no tempo presente<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 a mo\u00e7a em que eu falo<br \/>\nFilha do tal potentado<br \/>\nO pai tem ela escondida<br \/>\nEm um quarto de sobrado<br \/>\nChama-se Creuza e criou-se<br \/>\nSem nunca ter passeado.<\/p>\n<p>\u2013 De ano em ano essa mo\u00e7a<br \/>\nbota a cabe\u00e7a de fora<br \/>\npara o povo ador\u00e1-la<br \/>\nno espa\u00e7o de uma hora<br \/>\npara ser vista outra vez<br \/>\ntem um ano de demora.<\/p>\n<p>O conde n\u00e3o consentiu<br \/>\nOutro homem educ\u00e1-la<br \/>\nS\u00f3 ele como pai dela<br \/>\nTeve o poder de ensin\u00e1-la<br \/>\nE ser\u00e1 morto o criado<br \/>\nQue dela ouvir a fala.<\/p>\n<p>Os estrangeiros t\u00eam vindo<br \/>\nTomarem conhecimento<br \/>\nAmanh\u00e3 quando ela aparece<br \/>\nNo grande ajuntamento<br \/>\n\u00c9 proibido pedir-se<br \/>\nA m\u00e3o dela em casamento.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o disse Jo\u00e3o Batista<br \/>\n\u2013 Agora vou me demorar<br \/>\npra ver essa condessa<br \/>\nestrela desse lugar<br \/>\nquando eu chegar \u00e0 Turquia<br \/>\ntenho muito o que contar.<\/p>\n<p>Logo no segundo dia<br \/>\nCreuza saiu na janela<br \/>\nOs fot\u00f3grafos se vexaram<br \/>\nTirando o retrato dela<br \/>\nQuando inteirou uma hora<br \/>\nDesapareceu a donzela.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Batista viu depois<br \/>\nUm retratista vendendo<br \/>\nAlguns retratos de Creuza<br \/>\nVexou-se e foi dizendo:<br \/>\n\u2013 Quanto quer pelo retrato<br \/>\nporque compr\u00e1-lo pretendo.<\/p>\n<p>O fot\u00f3grafo respondeu:<br \/>\n\u2013 Lhe custa um conto de r\u00e9is<br \/>\nJo\u00e3o Batista ainda disse:<br \/>\n\u2013 Eu compro at\u00e9 por dez<br \/>\nse o dinheiro n\u00e3o der<br \/>\nempenharei os an\u00e9is.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Batista voltou<br \/>\nDa Gr\u00e9cia para a Turquia<br \/>\nE quando chegou em Meca<br \/>\nCidade em que residia<br \/>\nSeu mano Evangelista<br \/>\nBanqueteou o seu dia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o disse Evangelista:<br \/>\n\u2013 Meu mano v\u00e1 me contando<br \/>\nse viste coisas bonitas<br \/>\nonde andaste passeando<br \/>\no que me traz de presente<br \/>\nv\u00e1 logo entregando.<\/p>\n<p>Respondeu Jo\u00e3o Batista:<br \/>\n\u2013 Para ti trouxe um retrato<br \/>\nde uma condessa da Gr\u00e9cia<br \/>\nmo\u00e7a que tem fino trato<br \/>\ncustou-me um conto de r\u00e9is<br \/>\nainda achei muito barato.<\/p>\n<p>Respondeu Evangelista<br \/>\nDepois duma gargalhada:<br \/>\n&#8211; Neste caso meu irm\u00e3o<br \/>\npra mim n\u00e3o trouxe nada<br \/>\npois retrato de mulher<br \/>\n\u00e9 coisa bastante usada.<\/p>\n<p>&#8211; Sei que tem muitos retratos<br \/>\nmas como o que eu trouxe n\u00e3o<br \/>\nvais agora examin\u00e1-lo<br \/>\nentrego em tua m\u00e3o<br \/>\nquando vires a beleza<br \/>\nmudar\u00e1 de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Batista retirou<br \/>\nO retrato de uma mala<br \/>\nEntregou ao rapaz<br \/>\nQue estava de p\u00e9 na sala<br \/>\nQuando ele viu o retrato<br \/>\nQuis falar tremeu a fala.<\/p>\n<p>Evangelista voltou<br \/>\nCom o retrato na m\u00e3o<br \/>\nTremendo quase assustado<br \/>\nPerguntou ao seu irm\u00e3o<br \/>\nSe a mo\u00e7a do retrato<br \/>\nTinha aquela perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Respondeu Jo\u00e3o Batista<br \/>\n&#8211; Creuza \u00e9 muito mais formosa<br \/>\ndo que o retrato dela<br \/>\nem beleza \u00e9 preciosa<br \/>\ntem o corpo desenhado<br \/>\npor uma m\u00e3o milagrosa.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Batista perguntou<br \/>\nFazendo ar de riso:<br \/>\n&#8211; Que \u00e9 isso, meu irm\u00e3o<br \/>\nqueres perder o ju\u00edzo?<br \/>\nJ\u00e1 vi que este retrato<br \/>\nVai te causar preju\u00edzo.<\/p>\n<p>Respondeu Evangelista<br \/>\n&#8211; Pois meu irm\u00e3o eu te digo<br \/>\nvou sair do pa\u00eds<br \/>\nn\u00e3o posso ficar contigo<br \/>\npois a mo\u00e7a do retrato<br \/>\ndeixou-me a vida em perigo.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Batista falou s\u00e9rio:<br \/>\n&#8211; Precip\u00edcio n\u00e3o conv\u00e9m<br \/>\nde que te serve ir embora<br \/>\npor este mundo al\u00e9m<br \/>\nem procura de uma mo\u00e7a<br \/>\nque n\u00e3o casa com ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8211; Teu conselho n\u00e3o me serve<br \/>\nestou impressionado<br \/>\nrapaz sem mo\u00e7a bonita<br \/>\n\u00e9 um desaventurado<br \/>\nse eu n\u00e3o me casar com Creuza<br \/>\nfindo meus dias enforcado.<\/p>\n<p>&#8211; Vamos partir a riqueza<br \/>\nque tenho a necessidade<br \/>\nd\u00e1 balan\u00e7o no dinheiro<br \/>\nporque eu quero a metade<br \/>\no que n\u00e3o posso levar<br \/>\ndou-te de boa vontade.<\/p>\n<p>Deram o balan\u00e7o no dinheiro<br \/>\nS\u00f3 tr\u00eas milh\u00f5es encontraram<br \/>\nTocou dois a Evangelista<br \/>\nConforme se combinaram<br \/>\nCom rela\u00e7\u00e3o ao neg\u00f3cio<br \/>\nDa firma se desligaram.<\/p>\n<p>Despediu-se Evangelista<br \/>\nAbra\u00e7ou o seu irm\u00e3o<br \/>\nChorando um pelo outro<br \/>\nEm triste separa\u00e7\u00e3o<br \/>\nSeguindo um para a Gr\u00e9cia<br \/>\nEm uma embarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Logo que chegou na Gr\u00e9cia<br \/>\nHospedou-se Evangelista<br \/>\nEm um hotel dos mais pobres<br \/>\nNegando assim sua pista<br \/>\nS\u00f3 para ningu\u00e9m saber<br \/>\nQue era um capitalista.<\/p>\n<p>Ali passou oito meses<br \/>\nSem se dar a conhecer<br \/>\nSempre andando disfar\u00e7ado<br \/>\nS\u00f3 para ningu\u00e9m saber<br \/>\nAt\u00e9 que chegou o dia<br \/>\nDa donzela aparecer.<\/p>\n<p>Os hot\u00e9is j\u00e1 se achavam<br \/>\nRepletos de passageiros<br \/>\nPasseavam pelas pra\u00e7as<br \/>\nOs grupos de cavalheiros<br \/>\nHavia muito fidalgos<br \/>\nChegado dos estrangeiros.<\/p>\n<p>As duas horas as tarde<br \/>\nCreuza saiu \u00e0 janela<br \/>\nMostrando a sua beleza<br \/>\nEntre o conde e a m\u00e3e dela<br \/>\nTodos tiraram o chap\u00e9u<br \/>\nEm contin\u00eancia \u00e0 donzela.<\/p>\n<p>Quando Evangelista viu<br \/>\nO brilho da boniteza<br \/>\nDisse: &#8211; Vejo que meu mano<br \/>\nQuis me falar com franqueza<br \/>\nPois esta gentil donzela<br \/>\n\u00c9 rainha de beleza.<\/p>\n<p>Evangelista voltou<br \/>\nAonde estava hospedado<br \/>\nComo n\u00e3o falou com a mo\u00e7a<br \/>\nEstava contrariado<br \/>\nFoi inventar uma id\u00e9ia<br \/>\nQue lhe desse resultado.<\/p>\n<p>No outro dia saiu<br \/>\nPasseando Evangelista<br \/>\nEncontrou-se na cidade<br \/>\nCom um mo\u00e7o jornalista<br \/>\nPerguntou se n\u00e3o havia<br \/>\nNaquela pra\u00e7a um artista.<\/p>\n<p>Respondeu o jornalista:<br \/>\n&#8211; Tem o doutor Edmundo<br \/>\nna rua dos Oper\u00e1rios<br \/>\n\u00e9 engenheiro profundo<br \/>\npara inventar maquinismo<br \/>\n\u00e9 ele o maior do mundo.<\/p>\n<p>Evangelista entrou<br \/>\nNa casa do engenheiro<br \/>\nFalando em l\u00edngua grega<br \/>\nNegando ser estrangeiro<br \/>\nLhe prop\u00f4s um bom neg\u00f3cio<br \/>\nLhe oferecendo dinheiro.<\/p>\n<p>Assim disse Evangelista:<br \/>\n&#8211; Meu engenheiro famoso<br \/>\nprimeiro v\u00e1 me dizendo<br \/>\nse n\u00e3o \u00e9 homem medroso<br \/>\nporque eu quero custar<br \/>\num neg\u00f3cio vantajoso<\/p>\n<p>Respondeu-lhe Edmundo<br \/>\n&#8211; Na arte n\u00e3o tenho medo<br \/>\nmas vejo que o amigo<br \/>\nquer um neg\u00f3cio em segredo<br \/>\ncomo precisa de mim<br \/>\nconte-me l\u00e1 o enredo.<\/p>\n<p>&#8211; Eu amo a filha do conde<br \/>\na mais formosa mulher<br \/>\nse o doutor inventar<br \/>\num aparelho qualquer<br \/>\nque eu possa falar com ela<br \/>\npago o que o senhor quiser.<\/p>\n<p>\u2013 Eu aceito o seu contrato<br \/>\nmas preciso lhe avisar<br \/>\nque eu vou trabalhar seis meses<br \/>\no senhor vai esperar<br \/>\n\u00e9 obra desconhecida<br \/>\nque agora vou inventar.<\/p>\n<p>\u2013 Quer o dinheiro adiantado?<br \/>\nEu pago neste momento<br \/>\n\u2013 N\u00e3o senhor, ainda \u00e9 cedo<br \/>\nquando terminar o invento<br \/>\n\u00e9 que eu digo o pre\u00e7o<br \/>\nquanto custa o pagamento.<\/p>\n<p>Enquanto Evangelista<br \/>\nImpaciente esperava<br \/>\nO engenheiro Edmundo<br \/>\nToda noite trabalhava<br \/>\nOculto em sua oficina<br \/>\nE ningu\u00e9m adivinhava.<\/p>\n<p>O grande artista Edmundo<br \/>\nDesenhou nova inven\u00e7\u00e3o<br \/>\nFazendo um aeroplano<br \/>\nDe pequena dimens\u00e3o<br \/>\nFabricado de alum\u00ednio<br \/>\nCom importante arma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Movido a motor el\u00e9trico<br \/>\nDep\u00f3sito de gasolina<br \/>\nCom locomo\u00e7\u00e3o macia<br \/>\nQue n\u00e3o fazia buzina<br \/>\nA obra mais importante<br \/>\nQue fez em sua oficina.<\/p>\n<p>Tinha cauda como leque<br \/>\nAs asas como pav\u00e3o<br \/>\nPesco\u00e7o, cabe\u00e7a e bico<br \/>\nLavanca, chave e bot\u00e3o<br \/>\nVoava igualmente ao vento<br \/>\nPara qualquer dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando Edmundo findou<br \/>\nDisse a Evangelista:<br \/>\n\u2014 Sua obra est\u00e1 perfeita<br \/>\nficou com bonita vista<br \/>\no senhor tem que saber<br \/>\nque Edmundo \u00e9 artista.<\/p>\n<p>\u2014 Eu fiz o aeroplano<br \/>\nda forma de um pav\u00e3o<br \/>\nque arma e se desarma<br \/>\ncomprimindo em um bot\u00e3o<br \/>\ne carrega doze arroba<br \/>\ntr\u00eas l\u00e9guas acima do ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Foram experimentar<br \/>\nSe tinha jeito o pav\u00e3o<br \/>\nAbriram a lavanca e chave<br \/>\nEncarcaram num bot\u00e3o<br \/>\nO monstro girou suspenso<br \/>\nManeiro como bal\u00e3o.<\/p>\n<p>O pav\u00e3o de asas abertas<br \/>\nPartiu com velocidade<br \/>\nCoroando todo o espa\u00e7o<br \/>\nMuito acima da cidade<br \/>\nComo era meia noite<br \/>\nVoaram mesmo \u00e0 vontade.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o disse o engenheiro:<br \/>\n\u2014 J\u00e1 provei minha inven\u00e7\u00e3o<br \/>\nfizemos a experi\u00eancia<br \/>\ntome conta do pav\u00e3o<br \/>\nagora o senhor me paga<br \/>\nsem promover discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Perguntou Evangelista:<br \/>\n\u2014 Quanto custa o seu invento?<br \/>\n\u2014 D\u00ea me cem contos de r\u00e9is<br \/>\nacha caro o pagamento<br \/>\no rapaz lhe respondeu:<br \/>\nAcho pouco dou duzentos.<\/p>\n<p>Edmundo ainda deu-lhe<br \/>\nMais uma serra azougada<br \/>\nQue serrava caibro e ripa<br \/>\nE n\u00e3o fazia zuada<br \/>\nTinha os dentes igual navalha<br \/>\nDe l\u00e2mina bem afiada.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o disse o jovem turco:<br \/>\n\u2014 Muito obrigado fiquei<br \/>\ndo pav\u00e3o e dos presentes<br \/>\npara lutar me armei<br \/>\namanh\u00e3 a meia-noite<br \/>\ncom Creuza conversarei.<\/p>\n<p>\u00c0 meia-noite o pav\u00e3o<br \/>\nDo muro se levantou<br \/>\nCom as l\u00e2mpadas apagadas<br \/>\nComo uma flecha voou<br \/>\nBem no sobrado do conde<br \/>\nNa cumeeira pousou.<\/p>\n<p>Evangelista em sil\u00eancio<br \/>\nCinco telhas arredou<br \/>\nUm buraco de dois palmos<br \/>\nCaibros e ripas serrou<br \/>\nE pendurado numa corda<br \/>\nPor ela escorregou.<\/p>\n<p>Chegou no quarto de Creuza<br \/>\nOnde a donzela dormia<br \/>\nDebaixo do cortinado<br \/>\nFeito de seda amarela<br \/>\nE ele para acord\u00e1-la<br \/>\nP\u00f4s a m\u00e3o na testa dela.<\/p>\n<p>A donzela estremeceu<br \/>\nAcordou no mesmo instante<br \/>\nE viu um rapaz estranho<br \/>\nDe rosto muito elegante<br \/>\nQue sorria para ela<br \/>\nCom um olhar fascinante.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Creuza deu um grito:<br \/>\n\u2014 Papai um desconhecido<br \/>\nentrou aqui no meu quarto<br \/>\nsujeito muito atrevido<br \/>\nvenha depressa papai<br \/>\npode ser algum bandido.<\/p>\n<p>O rapaz lhe disse: \u2014 Mo\u00e7a<br \/>\nEntre n\u00f3s n\u00e3o h\u00e1 perigo<br \/>\nEstou pronto a defend\u00ea-la<br \/>\nComo um verdadeiro amigo<br \/>\nVenho \u00e9 saber da senhora<br \/>\nSe quer casar-se comigo.<\/p>\n<p>De um len\u00e7o enigm\u00e1tico<br \/>\nQue quando Creuza gritava<br \/>\nChamando o pai dela<br \/>\nEnt\u00e3o o mo\u00e7o passava<br \/>\nEle no nariz da mo\u00e7a<br \/>\nCom isso ela desmaiava.<\/p>\n<p>O jovem puxou o len\u00e7o<br \/>\nAo nariz da mo\u00e7a encostou<br \/>\nDeu uma vertigem na mo\u00e7a<br \/>\nDe repente desmaiou<br \/>\nE ele subiu na corda<br \/>\nChegando em cima tirou.<\/p>\n<p>Ajeitou os caibros e ripas<br \/>\nE consertou o telhado<br \/>\nE montando em seu pav\u00e3o<br \/>\nVoou bastante vexado<br \/>\nFoi esconder o aparelho<br \/>\nAonde foi fabricado.<\/p>\n<p>O conde acordou aflito<br \/>\nQuando ouviu essa zuada<br \/>\nEntrou no quarto da filha<br \/>\nDesembainhou a espada<br \/>\nEncontrou-a sem sentido<br \/>\nDez minutos desmaiada.<\/p>\n<p>Percorreu todos os cantos<br \/>\nCom a espada na m\u00e3o<br \/>\nBerrando e soltando pragas<br \/>\nCol\u00e9rico como um le\u00e3o<br \/>\nDizendo: \u2014 Aonde encontr\u00e1-lo<br \/>\nEu mato esse ladr\u00e3o.<\/p>\n<p>Creuza disse: \u2014 Meu pai<br \/>\nPois eu vi neste momento<br \/>\nUm jovem rico e elegante<br \/>\nMe falando em casamento<br \/>\nN\u00e3o vi quando ele encantou-se<br \/>\nPorque me deu um passamento.<\/p>\n<p>Disse o conde: \u2014 Nesse caso<br \/>\nTu j\u00e1 est\u00e1s a sonhar<br \/>\nMo\u00e7a de dezoito anos<br \/>\nJ\u00e1 pensando em se casar<br \/>\nSe aparecer casamento<br \/>\nEu saberei desmanchar.<\/p>\n<p>Evangelista voltou<br \/>\n\u00c0s duas da madrugada<br \/>\nAssentou seu pav\u00e3o<br \/>\nSem que fizesse zuada<br \/>\nDesceu pela mesma trilha<br \/>\nNa corda dependurada.<\/p>\n<p>E Creuza estava deitada<br \/>\nDormindo o sono inocente<br \/>\nSeus cabelos como um v\u00e9u<br \/>\nQue enfeitava puramente<br \/>\nComo um anjo de terreal<br \/>\nQue tem l\u00e1bios sorridentes.<\/p>\n<p>O rapaz muito sutil<br \/>\nFoi pegando na m\u00e3o dela<br \/>\nEnt\u00e3o a mo\u00e7a assustou-se<br \/>\nEle garantiu a ela<br \/>\nQue n\u00e3o eram malfazejos:<br \/>\n\u2014 N\u00e3o tenha medo donzela.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a interrogou-o<br \/>\nDisse: \u2014 Quem \u00e9 o senhor<br \/>\nDiz ele: \u2014 Sou estrangeiro<br \/>\nLhe consagrei grande amor<br \/>\nSe n\u00e3o fores minha esposa<br \/>\nA vida n\u00e3o tem valor.<\/p>\n<p>Mas Creuza achou imposs\u00edvel<br \/>\nO mo\u00e7o entrar no sobrado<br \/>\nEnt\u00e3o perguntou a ele<br \/>\nDe que jeito tinha entrado<br \/>\nE disse: \u2014 Vai me dizendo<br \/>\nSe \u00e9s vivo ou encantado.<\/p>\n<p>Como eu lhe tenho amizade<br \/>\nMe arrisco fora de hora<br \/>\nMo\u00e7a n\u00e3o me negue o sim<br \/>\nA quem tanto lhe adora!<br \/>\nCreuza a\u00ed gritou: \u2014 Papai<br \/>\nVenha ver o homem agora.<\/p>\n<p>Ele passou-lhe o len\u00e7o<br \/>\nEla caiu sem sentido<br \/>\nEnt\u00e3o subiu na corda<br \/>\nPor onde tinha descido<br \/>\nChegou em cima e disse:<br \/>\n\u2014 O conde ser\u00e1 vencido.<\/p>\n<p>Ouviu-se tocar a corneta<br \/>\nE o brado da sentinela<br \/>\nO conde se dirigiu<br \/>\nPara o quarto da donzela<br \/>\nViu a filha desmaiada<br \/>\nN\u00e3o pode falar com ela.<\/p>\n<p>At\u00e9 que a mo\u00e7a tornou<br \/>\nDisse o conde: \u2014 \u00c9 um caso s\u00e9rio<br \/>\nSou um fidalgo t\u00e3o rico<br \/>\nAtentado em meu crit\u00e9rio<br \/>\nMas n\u00f3s vamos descobrir<br \/>\nO autor do mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u2014 Minha filha, eu j\u00e1 pensei<br \/>\nem um plano bem sagaz<br \/>\npassa essa banha amarela<br \/>\nna cabe\u00e7a desse audaz<br \/>\ns\u00f3 assim descobriremos<br \/>\nesse anjo ou satan\u00e1s.<\/p>\n<p>\u2014 S\u00f3 sendo uma vis\u00e3o<br \/>\nque entra neste sobrado<br \/>\ns\u00f3 chega \u00e0 meia-noite<br \/>\nentra e sai sem ser notado<br \/>\nse \u00e9 gente desse mundo<br \/>\nusa feiti\u00e7o encantado.<\/p>\n<p>Evangelista tamb\u00e9m<br \/>\nDesarmou seu pav\u00e3o<br \/>\nA cauda, a capota, o bico<br \/>\nDiminuiu a arma\u00e7\u00e3o<br \/>\nEscondeu o seu motor<br \/>\nEm um pequeno caix\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de sessenta dias<br \/>\nAlta noite em nevoeiro<br \/>\nEvangelista chegou<br \/>\nNo seu pav\u00e3o bem maneiro<br \/>\nDesceu no quarto da mo\u00e7a<br \/>\nA seu modo trai\u00e7oeiro.<\/p>\n<p>J\u00e1 era a terceira vez<br \/>\nQue Evangelista entrava<br \/>\nNo quarto que a condessa<br \/>\n\u00c0 noite se agasalhava<br \/>\nPela for\u00e7a do amor<br \/>\nO rapaz se arriscava.<\/p>\n<p>Com um pouco a mo\u00e7a acordou<br \/>\nFoi logo dizendo assim:<br \/>\n\u2014 Tu tens dito que me amas<br \/>\ncom um bem-querer sem fim<br \/>\nse me amas com respeito<br \/>\nte senta juntos de mim.<\/p>\n<p>Evangelista sentou-se<br \/>\nP\u00f4s-se a conversar com ela<br \/>\nTrocando o riso esperava<br \/>\nA resposta da donzela<br \/>\nEla p\u00f4s-lhe a m\u00e3o na testa<br \/>\nPassou a banha amarela.<\/p>\n<p>Depois Creuza levantou-se<br \/>\nCom vontade de gritar<br \/>\nO rapaz tocou-lhe o len\u00e7o<br \/>\nSentiu ela desmaiar<br \/>\nDeixou-a com uma s\u00edncope<br \/>\nTratou de se retirar.<\/p>\n<p>E logo Evangelista<br \/>\nVoando da cumeeira<br \/>\nFoi esconder seu pav\u00e3o<br \/>\nNas folhas de uma palmeira<br \/>\nDisse: \u2014 Na quarta viagem<br \/>\nLevo essa estrangeira.<\/p>\n<p>Creuza ent\u00e3o passou o resto<br \/>\nDa noite mal sossegada<br \/>\nAcordou pela manh\u00e3<br \/>\nMeditava e cismada<br \/>\nSe o pai n\u00e3o perguntasse<br \/>\nEla n\u00e3o dizia nada.<\/p>\n<p>Disse o conde: \u2014 Minha filha<br \/>\nParece que est\u00e1s doente?<br \/>\nSofreste algum acesso<br \/>\nPorque teu olhar n\u00e3o mente<br \/>\nO tal rapaz encantado<br \/>\nTe apareceu certamente.<\/p>\n<p>E Creuza disse: \u2014 Papai<br \/>\nEu cumpri o seu mandado<br \/>\nO rapaz apareceu-me<br \/>\nMas achei-o delicado<br \/>\nPassei-lhe a banha amarela<br \/>\nE ele saiu marcado.<\/p>\n<p>O conde disse aos soldados<br \/>\nQue a cidade patrulhassem<br \/>\nTomassem os chap\u00e9us de<br \/>\nQuem nas ruas encontrassem<br \/>\nUm de cabelo amarelo<br \/>\nOu rico ou pobre pegassem.<\/p>\n<p>Evangelista trajou-se<br \/>\nCom roupa de alugado<br \/>\nEncontrou-se com a patrulha<br \/>\nO seu chap\u00e9u foi tirado<br \/>\nViram o cabelo amarelo<br \/>\nGritaram: \u2014 Esteja intimado!<\/p>\n<p>Os soldados lhe disseram:<br \/>\n\u2014 Cidad\u00e3o n\u00e3o estreme\u00e7a<br \/>\nest\u00e1 preso a ordem do conde<br \/>\ne \u00e9 bom que n\u00e3o se cres\u00e7a<br \/>\nvai a presen\u00e7a do conde<br \/>\nse \u00e9 homem n\u00e3o esmore\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea hoje vai provar<br \/>\npor sua vida responde<br \/>\ncomo \u00e9 que tem falado<br \/>\ncom a filha do nosso conde<br \/>\nquando ela lhe procura<br \/>\nonde \u00e9 que se esconde.<\/p>\n<p>Evangelista respondeu:<br \/>\n\u2014 Tamb\u00e9m me fa\u00e7a um favor<br \/>\nenquanto vou me vestir<br \/>\nminha roupa superior<br \/>\nna classe de homem rico<br \/>\nningu\u00e9m pisa meu valor.<\/p>\n<p>Disseram: \u2014 Pode mudar<br \/>\nSua roupa de nobreza<br \/>\nA mo\u00e7a bem que dizia<br \/>\nQue o rapaz tinha riqueza<br \/>\nVamos ganhar umas luvas<br \/>\nE o conde uma surpresa.<\/p>\n<p>Seguiu logo Evangelista<br \/>\nConversando com o guarda<br \/>\nAt\u00e9 que se aproximaram<br \/>\nDuma palmeira copada<br \/>\nEnt\u00e3o disse Evangelista:<br \/>\n\u2014 Minha roupa est\u00e1 trepada.<\/p>\n<p>E os soldados olharam<br \/>\nEm cima tinha um caix\u00e3o<br \/>\nMandaram ele subir<br \/>\nE ficaram de prontid\u00e3o<br \/>\nPegaram a conversar<br \/>\nPrestando pouca aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Evangelista subiu<br \/>\nP\u00f4s um dedo no bot\u00e3o<br \/>\nSeu monstro de alum\u00ednio<br \/>\nErgueu logo a arma\u00e7\u00e3o<br \/>\nDali foi se levantando<br \/>\nSeguiu voando o pav\u00e3o.<\/p>\n<p>E os soldados gritaram:<br \/>\n\u2014 Amigo, o senhor se des\u00e7a<br \/>\ndeixe de tanta demora<br \/>\n\u00e9 bom que n\u00e3o aborre\u00e7a<br \/>\nsen\u00e3o com pouco uma bala<br \/>\nvisita sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o mandaram subir<br \/>\nUm soldado de coragem<br \/>\nDisseram: \u2014 Pegue na perna<br \/>\nArraste com a folhagem<br \/>\nEst\u00e1 passando na hora<br \/>\nDe voltarmos da viagem.<\/p>\n<p>Quando o soldado subiu<br \/>\nGritou: \u2014 Perdemos a a\u00e7\u00e3o<br \/>\nFugiu o mo\u00e7o voando<br \/>\nDe longe vejo um pav\u00e3o<br \/>\nZombou de nossa patrulha<br \/>\nAquele mo\u00e7o \u00e9 o c\u00e3o.<\/p>\n<p>Voltaram e disseram ao conde<br \/>\nQue o rapaz tinham encontrado<br \/>\nMas no olho de uma palmeira<br \/>\nO mo\u00e7o tinha voado<br \/>\nDisso o conde: \u2014 Pois \u00e9 o c\u00e3o<br \/>\nQue com Creuza tem falado.<\/p>\n<p>Creuza sabendo da hist\u00f3ria<br \/>\nChorava de arrependida<br \/>\nPor ter marcado o rapaz<br \/>\nCom banha desconhecida<br \/>\nDisse: \u2014 Nunca mais terei<br \/>\nSossego na minha vida.<\/p>\n<p>Disse Creuza: \u2014 Ora papai<br \/>\nMe prive da liberdade<br \/>\nN\u00e3o consente que eu goze<br \/>\nA distra\u00e7\u00e3o da cidade<br \/>\nVivo como criminosa<br \/>\nSem gozar a mocidade.<\/p>\n<p>\u2014 Aqui n\u00e3o tenho direito<br \/>\nde falar com um criado<br \/>\num rapaz para me ver<br \/>\nprecisa ser encantado<br \/>\nmas talvez ainda eu fuja<br \/>\ndeste maldito sobrado.<\/p>\n<p>\u2014 O rapaz que me amou<br \/>\ns\u00f3 queria v\u00ea-lo agora<br \/>\npara cair nos seus p\u00e9s<br \/>\ncomo uma infeliz que chora<br \/>\nembora que eu depois<br \/>\nmorresse na mesma hora.<\/p>\n<p>\u2014 Eu sei que para ele<br \/>\nn\u00e3o mere\u00e7o confian\u00e7a<br \/>\nquando ele vinha aqui<br \/>\nainda eu tinha esperan\u00e7a<br \/>\nde sair desta pris\u00e3o<br \/>\nonde estou desde de crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c0s quatro da madrugada<br \/>\nEvangelista desceu<br \/>\nCreuza estava acordada<br \/>\nNunca mais adormeceu<br \/>\nA mo\u00e7a estava chorando<br \/>\nO rapaz lhe apareceu.<\/p>\n<p>O jovem cumprimentou-a<br \/>\nDeu-lhe um aperto de m\u00e3o<br \/>\nA condessa ajoelhou-se<br \/>\nPara pedir-lhe perd\u00e3o<br \/>\nDizendo: \u2014 Meu pai mandou<br \/>\nEu fazer-te uma trai\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O rapaz disse: \u2014 Menina<br \/>\nA mim n\u00e3o fizeste mal<br \/>\nToda a mo\u00e7a \u00e9 inocente<br \/>\nTem seu papel virginal<br \/>\nCerim\u00f4nia de donzela<br \/>\n\u00c9 uma coisa natural.<\/p>\n<p>\u2014 Todo o seu sonho dourado<br \/>\n\u00e9 fazer-te minha senhora<br \/>\nse quiseres casar comigo<br \/>\nte arrumas e vamos embora<br \/>\nsen\u00e3o o dia amanhece<br \/>\ne se perde a nossa hora.<\/p>\n<p>\u2014 Se o senhor \u00e9 homem s\u00e9rio<br \/>\ne comigo quer casar<br \/>\npois tome conta de mim<br \/>\naqui n\u00e3o quero ficar<br \/>\nse eu falar em casamento<br \/>\nmeu pai manda me matar.<\/p>\n<p>\u2014 Que importa que ele mande<br \/>\ntropas e navios pelos mares<br \/>\nminha viagem \u00e9 a\u00e9rea<br \/>\nmeu cavalo anda nos ares<br \/>\nn\u00f3s vamos sair daqui<br \/>\ncasar em outros lugares.<\/p>\n<p>Creuza estava empacotando<br \/>\nO vestido mais elegante<br \/>\nO conde entrou no quarto<br \/>\nE dando um berro vibrante<br \/>\nGritando: \u2014 Filha maldita<br \/>\nVais morrer com o seu amante.<\/p>\n<p>O conde rangendo os dentes<br \/>\nAvan\u00e7ou com passo extenso<br \/>\nDeu um pontap\u00e9 na filha<br \/>\nDizendo: \u2014 Eu sou quem ven\u00e7o<br \/>\nLogo no nariz do conde<br \/>\nO rapaz passou o len\u00e7o.<\/p>\n<p>Ouviu-se o baque do conde<br \/>\nPorque rolou desmaiado<br \/>\nA \u00faltima cena do len\u00e7o<br \/>\nDeixou-o magnetizado<br \/>\nDisse o mo\u00e7o: -Tem dez minutos<br \/>\nPara sairmos do sobrado.<\/p>\n<p>Creuza disse: \u2014 Eu estou pronta<br \/>\nJ\u00e1 podemos ir embora<br \/>\nE subiram pela corda<br \/>\nAt\u00e9 que sairam fora<br \/>\nSe aproximava a alvorada<br \/>\nPela cortina da aurora.<\/p>\n<p>Com pouco o conde acordou<br \/>\nViu a corda pendurada<br \/>\nNa coberta do sobrado<br \/>\nDistinguiu uma zuada<br \/>\nE as l\u00e2mpadas do aparelho<br \/>\nMostrando luz variada.<\/p>\n<p>E a gaita do pav\u00e3o<br \/>\nTocando uma rouca voz<br \/>\nO monstro de olho de fogo<br \/>\nProjetando os seus far\u00f3is<br \/>\nO conde mandando pragas<br \/>\nDisse a mo\u00e7a: \u2014 \u00c9 contra n\u00f3s.<\/p>\n<p>Os soldados da patrulha<br \/>\nEstavam de prontid\u00e3o<br \/>\nUm disse: \u2014 Vem ver fulano<br \/>\nA\u00ed vai passando um pav\u00e3o<br \/>\nO monstro fez uma curva<br \/>\nPara tomar dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o dizia um soldado<br \/>\n\u2014 Orgulho \u00e9 uma ilus\u00e3o<br \/>\num pai governa uma filha<br \/>\nmas n\u00e3o manda no cora\u00e7\u00e3o<br \/>\npois agora a condessinha<br \/>\nvai fugindo no pav\u00e3o.<\/p>\n<p>O conde olhou para a corda<br \/>\nE o buraco do telhado<br \/>\nComo tinha sido vencido<br \/>\nPelo rapaz atilado<br \/>\nAdoeceu s\u00f3 de raiva<br \/>\nMorreu por n\u00e3o ser vingado.<\/p>\n<p>Logo que Evangelista<br \/>\nFoi chegando na Turquia<br \/>\nCom a condessa da Gr\u00e9cia<br \/>\nFidalga da monarquia<br \/>\nEm casa do seu irm\u00e3o<br \/>\nCasaram no mesmo dia.<\/p>\n<p>Em casa de Jo\u00e3o Batista<br \/>\nDeu-se grande ajuntamento<br \/>\nDando vivas ao noivado<br \/>\nParab\u00e9ns ao casamento<br \/>\n\u00c0 noite teve retreta<br \/>\nCom visita e cumprimento.<\/p>\n<p>Enquanto Evangelista<br \/>\nGozava imensa alegria<br \/>\nChegava um telegrama<br \/>\nDa Gr\u00e9cia para Turquia<br \/>\nChamando a condessa urgente<br \/>\nPelo motivo que havia.<\/p>\n<p>Dizia o telegrama:<br \/>\n&#8220;Creuza vem com o teu marido<br \/>\nreceber a tua heran\u00e7a<br \/>\no conde \u00e9 falecido<br \/>\ntua m\u00e3e deseja ver<br \/>\no genro desconhecido.&#8221;<\/p>\n<p>A condessa estava lendo<br \/>\nCom o telegrama na m\u00e3o<br \/>\nEntregou a Evangielista<br \/>\nQue mostrou ao seu irm\u00e3o<br \/>\nDizendo: \u2014 Vamos voltar<br \/>\nPor uma justa raz\u00e3o.<\/p>\n<p>De manh\u00e3 quando os noivos<br \/>\nAcabaram de almo\u00e7ar<br \/>\nE Creuza em traje de noiva<br \/>\nPronta para viajar<br \/>\nDe palma, v\u00e9u e capela<br \/>\nPois s\u00f3 vieram casar.<\/p>\n<p>Diziam os convidados:<br \/>\n\u2014 A condessa \u00e9 t\u00e3o mocinha<br \/>\ne vestida de noiva<br \/>\ntorna-se mais bonitinha<br \/>\nest\u00e1 com um buqu\u00ea de flor<br \/>\ns\u00e9ria como uma rainha.<\/p>\n<p>Os noivos tomaram assento<br \/>\nNo pav\u00e3o de alum\u00ednio<br \/>\nE o monstro se levantou-se<br \/>\nFoi ficando pequenino<br \/>\nContinuou o seu v\u00f4o<br \/>\nAo rumo do seu destino.<\/p>\n<p>Na cidade de Atenas<br \/>\nEstava a popula\u00e7\u00e3o<br \/>\nEsperando pela volta<br \/>\nDo aeroplano pav\u00e3o<br \/>\nOu o cavalo do espa\u00e7o<br \/>\nQue imita um avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Na tarde do mesmo dia<br \/>\nQue o pav\u00e3o foi chegado<br \/>\nEm casa de Edmundo<br \/>\nFicou o noivo hospedado<br \/>\nSeu amigo de confian\u00e7a<br \/>\nQue foi bem recompensado.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m a m\u00e3e de Creuza<br \/>\nJ\u00e1 esperava vexada<br \/>\nA filha mais tarde entrou<br \/>\nMuito bem acompanhada<br \/>\nDe bra\u00e7o com o seu noivo<br \/>\nDisse: \u2014 Mam\u00e3e estou casada.<\/p>\n<p>Disse a velha: \u2014 Minha filha<br \/>\nSa\u00edste do cativeiro<br \/>\nFizeste bem em fugir<br \/>\nE casar no estrangeiro<br \/>\nTomem conta da heran\u00e7a<br \/>\nMeu genro \u00e9 meu herdeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cordel por Jo\u00e3o Melch\u00edades Ferreira da Silva Eu vou contar uma hist\u00f3ria De um pav\u00e3o misterioso Que levantou v\u00f4o na Gr\u00e9cia Com um rapaz corajoso Raptando uma condessa Filha de um conde orgulhoso. Residia na Turquia Um vi\u00favo capitalista Pai de dois filhos solteiros O mais velho Jo\u00e3o Batista Ent\u00e3o o filho mais novo Se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":640,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-113","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=113"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":116,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113\/revisions\/116"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}