O Macaco Azul - Aluísio Azevedo
Ontem, mexendo nos meus papéis velhos, encontrei a seguinte carta: Caro Senhor. Escrevo estas palavras possuído do maior desespero. Cada vez menos esperança tenho de alcançar o meu sonho dourado. – O seu macaco azul…
Ontem, mexendo nos meus papéis velhos, encontrei a seguinte carta: Caro Senhor. Escrevo estas palavras possuído do maior desespero. Cada vez menos esperança tenho de alcançar o meu sonho dourado. – O seu macaco azul…
– Sua ama está em casa, rapariga? – Está, sim, senhor. Tenha a bondade de dizer quem é. – Diga-lhe que é a pessoa que ela espera para jantar. – Ah! Pode subir… Minha ama…
Quando eu tinha treze anos, lá na província, uma das famílias que mais intimamente se dava com a minha era a do velho Cunha, um bom homem, já afastado do comércio a retalho onde fizera…
Terminava a primeira parte do espetáculo, quando D. Olímpia entrou no circo, pelo braço do pai. Havia grande enchente. O público vibrava ainda sob a impressão do último trabalho exibido, que devia ter sido maravilhoso,…
“Eu tinha dez meses de viúva e havia seis que Paulo me fazia a corte. Por esse tempo propôs-me ele um passeio ao campo e eu aceitei. A manhã era esplêndida; uma bela manhã de…
I Durara a pândega a noite inteira; uma dessas orgias banais, grosseironas, genuinamente fluminense; que principiam por um jantar de hotel, em gabinete particular, continuam durante a representação de qualquer teatro, depois durante a ceia…
Suicidou-se anteontem o meu triste amigo Boaventura da Costa. Pobre Boaventura! Jamais o caiporismo encontrou asilo tão cômodo para as suas traiçoeiras manobras como naquele corpinho dele, arqueado e seco, cuja exigüidade física, em contraste…
I – Olá! exclamei eu, vendo saltar do bonde de Botafogo o meu querido Ernesto Branco. Bons ares te tragam! Como vais tu? Mas que diabo de cara tens agora? Estás zangado? – Ora! Não…
Sim, minha senhora, pode acreditar nas frases que me enviou na sua enternecida consulta, transcritas da carta que “Ele” lhe escreveu. São sinceras, afianço! Ai, minha senhora como eu conheço esses casos!… A estas horas…
João Brás foi jantar à Santa Teresa com o seu amigo Manuel Fortuna, como costumava fazer invariavelmente todos os domingos. Eram ambos do comércio: João guarda-livros e o outro estabelecido com uma loja de alfaiate….
Ora! Para que lhes hei de contar isto? Histórias do Norte! Histórias de amor! Cousas que não voltam mais! Era a última vez que eu ia ter com ela, e seria menos uma entrevista de…
Todo o homem inteligente, que tenha lido durante a vida mais de dez livros de literatura, sente um delicado abalo e um ligeiro frêmito nervoso agitarem-lhe o coração, todas as vezes que vê anunciado, por…
Conto-vos o caso como mo contaram. Frei Álvaro era um bom homem e um mau frade. Capaz de todas as virtudes e de todos os atos de devoção, não tinha, todavia, a heróica ciência domar…
Havia nada menos de trinta e cinco anos que eu deixara minha cidade natal quando lá tornei pela primeira vez. Trinta e cinco anos! Quantas voltas não dera o mundo durante essa larga ausência! De…
Era uma rica tarde de novembro. O sol acabava de retirar-se naquele instante, mas a terra, toda enrubescida, palpitava ainda com o calor dos seus últimos beijos. O céu, vermelho e quente, debruçava-se sobre ela,…