Músculos e Nervos - Aluísio Azevedo

Terminava a primeira parte do espetáculo, quando D. Olímpia entrou no circo, pelo braço do pai. Havia grande enchente. O público vibrava ainda sob a impressão do último trabalho exibido, que devia ter sido maravilhoso,…

Pelo Caminho - Aluísio Azevedo

I Durara a pândega a noite inteira; uma dessas orgias banais, grosseironas, genuinamente fluminense; que principiam por um jantar de hotel, em gabinete particular, continuam durante a representação de qualquer teatro, depois durante a ceia…

Polítipo - Aluísio Azevedo

Suicidou-se anteontem o meu triste amigo Boaventura da Costa. Pobre Boaventura! Jamais o caiporismo encontrou asilo tão cômodo para as suas traiçoeiras manobras como naquele corpinho dele, arqueado e seco, cuja exigüidade física, em contraste…

Rendas e Fitas - Aluísio Azevedo

I – Olá! exclamei eu, vendo saltar do bonde de Botafogo o meu querido Ernesto Branco. Bons ares te tragam! Como vais tu? Mas que diabo de cara tens agora? Estás zangado? – Ora! Não…

Resposta - Aluísio Azevedo

Sim, minha senhora, pode acreditar nas frases que me enviou na sua enternecida consulta, transcritas da carta que “Ele” lhe escreveu. São sinceras, afianço! Ai, minha senhora como eu conheço esses casos!… A estas horas…

A Serpente - Aluísio Azevedo

João Brás foi jantar à Santa Teresa com o seu amigo Manuel Fortuna, como costumava fazer invariavelmente todos os domingos. Eram ambos do comércio: João guarda-livros e o outro estabelecido com uma loja de alfaiate….

Fora de Horas - Aluísio Azevedo

Ora! Para que lhes hei de contar isto? Histórias do Norte! Histórias de amor! Cousas que não voltam mais! Era a última vez que eu ia ter com ela, e seria menos uma entrevista de…

Hamleto - Aluísio Azevedo

Todo o homem inteligente, que tenha lido durante a vida mais de dez livros de literatura, sente um delicado abalo e um ligeiro frêmito nervoso agitarem-lhe o coração, todas as vezes que vê anunciado, por…

O Impenitente - Aluísio Azevedo

Conto-vos o caso como mo contaram. Frei Álvaro era um bom homem e um mau frade. Capaz de todas as virtudes e de todos os atos de devoção, não tinha, todavia, a heróica ciência domar…

Insepultos - Aluísio Azevedo

Havia nada menos de trinta e cinco anos que eu deixara minha cidade natal quando lá tornei pela primeira vez. Trinta e cinco anos! Quantas voltas não dera o mundo durante essa larga ausência! De…

Inveja - Aluísio Azevedo

Era uma rica tarde de novembro. O sol acabava de retirar-se naquele instante, mas a terra, toda enrubescida, palpitava ainda com o calor dos seus últimos beijos. O céu, vermelho e quente, debruçava-se sobre ela,…

Aos Vinte Anos - Aluísio Azevedo

Abri minha janela sobre a chácara. Um bom cheiro de resedás e laranjeiras entrou-me pelo quarto, de camaradagem com o sol, tão confundidos que parecia que era o sol que estava recendendo daquele modo. Vinham…

Casas de Cômodos - Aluísio Azevedo

Há no Rio de Janeiro, entre os que não trabalham e conseguem sem base pecuniária fazer pecúlio e até enriquecer, um tipo digno de estudo – é o “dono de casa de cômodos”; mais curioso…

Como o Demo as Arma - Aluísio Azevedo

Teresinha era a flor das pequenas lá da fábrica. Todos lhe queriam bem. Ninguém como ela para saber guardar as conveniências e saber cumprir com os seus deveres sem fazer caretas de sacrifício. Vivia de…