{"id":562,"date":"2018-07-05T15:02:47","date_gmt":"2018-07-05T15:02:47","guid":{"rendered":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/?p=562"},"modified":"2018-07-05T15:09:38","modified_gmt":"2018-07-05T15:09:38","slug":"o-tesouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/o-tesouro","title":{"rendered":"O Tesouro"},"content":{"rendered":"<p>I<br \/>\nOs tr\u00eas irm\u00e3os de Medranhos, Rui, Guanes e Rostabal, eram ent\u00e3o, em todo o Reino das Ast\u00farias, os fidalgos mais famintos e os mais remendados.<\/p>\n<p>Nos Pa\u00e7os de Medranhos, a que o vento da serra levara vidra\u00e7a e telha, passavam eles as tardes desse Inverno, engelhados nos seus pelotes de camel\u00e3o, batendo as solas rotas sobre as lajes da cozinha, diante da vasta lareira negra, onde desde muito n\u00e3o estalava lume, nem fervia a panela de ferro. Ao escurecer devoravam uma c\u00f4dea de p\u00e3o negro, esfregada com alho. Depois, sem candeia, atrav\u00e9s do p\u00e1tio, fendendo a neve, iam dormir \u00e1 estrebaria, para aproveitar o calor das tr\u00eas \u00e9guas lazarentas que, esfaimadas como eles, ro\u00edam as traves da manjedoura. E a mis\u00e9ria tornara estes senhores mais bravios que lobos.<\/p>\n<p>Ora, na Primavera, por uma silenciosa manh\u00e3 de domingo, andando todos tr\u00eas na mata de Roquelanes a espiar pegadas de ca\u00e7a e a apanhar tortulhos entre os robles, enquanto as tr\u00eas \u00e9guas pastavam a relva nova de Abril \u2014 os irm\u00e3os de Medranhos encontraram, por tr\u00e1s de uma moita de espinheiros, numa cova de rocha, um velho cofre de ferio. Como se o resguardasse uma torre segura, conservava as suas tr\u00eas chaves nas suas tr\u00eas fechaduras. Sobre a tampa, mal decifr\u00e1vel atrav\u00e9s da ferrugem, corria um d\u00edstico em letras \u00e1rabes. E dentro, at\u00e9 \u00e0s bordas, estava cheio de dobr\u00f5es de ouro!<\/p>\n<p>No terror e esplendor da emo\u00e7\u00e3o, os tr\u00eas senhores ficaram mais l\u00edvidos do que c\u00edrios. Depois, mergulhando furiosamente as m\u00e3os no ouro, estalaram a rir, num riso de t\u00e3o larga rajada que as folhas tenras dos olmos, em roda, tremiam\u2026 E de novo recuaram, bruscamente se encararam, com os olhos a flamejar, numa desconfian\u00e7a t\u00e3o desabrida que Guanes e Rostabal apalpavam nos cintos as cabos das grandes facas. Ent\u00e3o Rui, que era gordo e ruivo, e o mais avisado, ergueu os bra\u00e7os, como um \u00e1rbitro, e come\u00e7ou por decidir que o tesouro, ou viesse de Deus ou do Dem\u00f3nio, pertencia aos tr\u00eas, e entre eles se repartiria, rigidamente, pesando-se o ouro em balan\u00e7as. Mas como poderiam carregar para Medranhos, para os cimos da serra, aquele cofre t\u00e3o cheio? Nem convinha que sa\u00edssem da mata com o seu bem, antes de cerrar a escurid\u00e3o. Por isso ele entendia que o mano Guanes, como mais leve, devia trotar para a vila vizinha de Retortilho, levando j\u00e1 ouro na bolsilha, a comprar tr\u00eas alforges de couro, tr\u00eas maquias de cevada, tr\u00eas empad\u00f5es de carne e tr\u00eas botelhas de vinho. Vinho e carne eram para eles, que n\u00e3o comiam desde a v\u00e9spera: a cevada era para as \u00e9guas. E assim refeitos, senhores e cavalgaduras, ensacariam o ouro nos alforges e subiriam para Medranhos, sob a seguran\u00e7a da noite sem lua.<\/p>\n<p>\u2014 Bem tramado! \u2014 gritou Rostabal, homem mais alto que um pinheiro, de longa guedelha, e com uma barba que lhe ca\u00eda desde os olhos raiados de sangue at\u00e9 \u00e1 fivela do cintur\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas Guanes n\u00e3o se arredava do cofre, enrugado, desconfiado, puxando entre os dedos a pele negra do seu pesco\u00e7o de grou. Por fim, brutalmente:<\/p>\n<p>\u2014 Manos! O cofre tem tr\u00eas chaves\u2026 Eu quero fechar a minha fechadura e levar a minha chave!<\/p>\n<p>\u2014 Tamb\u00e9m eu quero a minha, mil raios! \u2014 rugiu logo Rostabal.<\/p>\n<p>Rui sorriu. Decerto, decerto! A cada dono do ouro cabia uma das chaves que o guardavam. E cada um em sil\u00eancio, agachado ante o cofre, cerrou a sua fechadura com for\u00e7a. Imediatamente Guanes, desanuviado, saltou na \u00e9gua, meteu pela vereda de olmos, a caminho de Retortilho, atirando aos ramos a sua cantiga costumada e dolente:<\/p>\n<p>Ol\u00e9! Ol\u00e9! Sale la cruz de la iglesia, Vestida de negro luto\u2026<\/p>\n<p>II<br \/>\nNa clareira, em frente \u00e0 moita que encobria o tesouro (e que os tr\u00eas tinham desbastado a cutiladas) um fio de \u00e1gua. brotando entre rochas: ca\u00eda sobre uma vasta laje escavada, onde fazia como um tanque, claro e quieto, antes de se escoar para as relvas altas. E ao lado, na sombra de uma faia, jazia um velho pilar de granito, tombado e musgoso. Ali vieram sentar-se Rui e Rostabal, com os seus tremendos espad\u00f5es entre os joelhos. As duas \u00e9guas retou\u00e7avam a boa erva pintalgada de papoulas e bot\u00f5es-de-ouro. Pela ramaria andava um melro a assobiar. Um cheiro errante de violetas ado\u00e7ava o ar luminoso. E Rostabal, olhando o Sol, bocejava com fome.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Rui, que tirara o sombrero e lhe cofiava as velhas plumas roxas, come\u00e7ou a considerar, na sua fala avisada e mansa, que Guanes, nessa manh\u00e3, n\u00e3o quisera descer com eles \u00e0 mata de Roquelanes. E assim era a sorte ruim! Pois que se Guanes tivesse quedado em Medranhos, s\u00f3 eles dois teriam descoberto o cofre, e s\u00f3 entre eles dois se dividiria o ouro! Grande pena! Tanto mais que a parte de Guanes seria em breve dissipada, com rufi\u00f5es, aos dados, pelas tavernas.<\/p>\n<p>\u2014 Ah! Rostabal, Rostabal! Se Guanes, passando aqui sozinho, tivesse achado este ouro, n\u00e3o dividia connosco, Rostabal!<\/p>\n<p>O outro rosnou surdamente e com furor, dando um pux\u00e3o \u00e0s barbas negras:<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o, mil raios! Guanes \u00e9 s\u00f4frego\u2026 Quando o ano passado. se te lembras, ganhou os cem ducados ao espadeiro de Fresno, nem me quis emprestar tr\u00eas para eu comprar um gib\u00e3o novo!<\/p>\n<p>\u2014 V\u00eas tu? \u2014 gritou Rui, resplandecendo.<\/p>\n<p>Ambos se tinham erguido do pilar de granito, como levados pela mesma ideia, que os deslumbrava. E, atrav\u00e9s das suas largas passadas, as ervas altas silvavam.<\/p>\n<p>\u2014 E para qu\u00ea \u2014 prosseguia Rui. \u2014 Para que lhe serve todo o ouro que nos leva? Tu n\u00e3o o ouves, de noite, como tosse? Ao redor da palha em que dorme, todo o ch\u00e3o est\u00e1 negro do sangue que escarra! N\u00e3o dura at\u00e9 \u00e1s outras neves, Rostabal! Mas at\u00e9 l\u00e1 ter\u00e1 dissipado os bons dobr\u00f5es que deviam ser nossos, para levantarmos a nossa casa, e para tu teres ginetes, e armas, e trajes nobres, e o teu ter\u00e7o de solarengos, como compete a quem \u00e9, como tu, o mais velho dos de Medranhos\u2026<\/p>\n<p>\u2014 Pois que morra, e morra hoje! \u2014 bradou Rostabal.<\/p>\n<p>\u2014 Queres?<\/p>\n<p>Vivamente, Rui agarrara o bra\u00e7o do irm\u00e3o e apontava para a vereda de olmos, por onde Guanes partira cantando:<\/p>\n<p>\u2014 Logo adiante, ao fim do trilho, h\u00e1 um s\u00edtio bom, nos silvados. E h\u00e1s-de ser tu, Rostabal, que \u00e9s o mais forte e o mais destro. Um golpe de ponta pelas costas. E \u00e9 justi\u00e7a de Deus que sejas tu, que muitas vezes, nas tavernas, sem pudor, Guanes te tratava de \u00abcerdo\u00bb e de \u00abtorpe\u00bb, por n\u00e3o saberes a letra nem os n\u00fameros.<\/p>\n<p>\u2014 Malvado!<\/p>\n<p>\u2014 Vem!<\/p>\n<p>Foram. Ambos se emboscaram por tr\u00e1s de um silvado que dominava o atalho, estreito e pedregoso como um leito de torrente. Rostabal, assolapado na vala, tinha j\u00e1 a espada nua. Um vento leve arrepiou na encosta as folhas dos \u00e1lamos \u2014 e sentiram o repique leve dos sinos de Retortilho. Rui, co\u00e7ando a barba, calculava as horas pelo Sol, que j\u00e1 se inclinava para as serras. Um bando de corvos passou sobre eles, grasnando E Rostabal, que lhes seguira o roo, recome\u00e7ou a bocejar, com tome, pensando nos empad\u00f5es e no vinho que o outro trazia nos alforges.<\/p>\n<p>Enfim! Alerta! Era, na vereda, a cantiga dolente e rouca, atirada aos ramos:<\/p>\n<p>Ol\u00e9! Ol\u00e9! Sale la cruz de la iglesia, Vestida de negro luto\u2026<\/p>\n<p>Rui murmurou: \u2014 Na ilharga! Mal que passe! \u2014 O chouto da \u00e9gua bateu o cascalho. uma pluma num sombrero vermelhejou por sobre a ponta das silvas.<\/p>\n<p>Rostabal rompeu de entre a sar\u00e7a por uma brecha, atirou o bra\u00e7o, a longa espada \u2014 e toda a l\u00e2mina se embebeu molemente na ilharga de Guanes, quando ao rumor, bruscamente ele se virara na sela. Com um surdo arranco, tombou de lado, sobre as pedras. J\u00e1 Rui se arremessava aos freios da \u00e9gua \u2014 Rostabal. caindo sobre Guanes, que arquejava, de novo lhe mergulhou a espada, agarrada pela folha como um punhal, no peito e na garganta.<\/p>\n<p>\u2014 A chave! \u2014 gritou Rui.<\/p>\n<p>E arrancada a chave do cofre ao seio do morto, ambos largaram pela vereda \u2014 Rostabal adiante, fugindo, com a pluma do sombrero quebrada e torta, a espada ainda nua entalada sob o bra\u00e7o, todo encolhido, arrepiado com o sabor do sangue que lhe espirrara para a boca: Rui, atr\u00e1s, puxava desesperadamente os freios da \u00e9gua, que, de patas fincadas no ch\u00e3o pedregoso, arreganhando a longa dentu\u00e7a amarela. n\u00e3o queria deixar o seu amo assim estirado, abandonado, ao comprido das sebes<\/p>\n<p>Teve de lhe espica\u00e7ar as ancas lazarentas com a ponta da espada \u2014 e foi correndo sobre ela, de l\u00e2mina alta, como se perseguisse um mouro, que desembocou na clareira onde o sol j\u00e1 n\u00e3o dourava as folhas. Rostabal arremessara para a relva o sombrero e a espada; e debru\u00e7ado sobre a laje escavada em tanque, de mangas arrega\u00e7adas, lavava, ruidosamente, a face e as barbas.<\/p>\n<p>A \u00e9gua, quieta, recome\u00e7ou a pastar, carregada com os alforges novos que Guanes comprara em Retortilho. Do mais largo, abarrotado, surdiam dois gargalos de garrafas. Ent\u00e3o Rui tirou, lentamente, do cinto, a sua larga navalha. Sem um rumor na relva espessa, deslizou at\u00e9 Rostabal, que resfolegava, com as longas barbas pingando. E serenamente, como se pregasse urna estaca num canteiro, enterrou a folha toda na largo dorso dobrado, certeira sobre o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Rostabal caiu sobre o tanque, sem um gemido, com a face na \u00e1gua, os longos cabelos flutuando na \u00e1gua. A sua velha escarcela de couro ficara entalada sob a coxa. Para tirar de dentro a terceira chave do cofre, Rui solevou o corpo \u2014 e um sangue mais grosso forrou, escorreu pela borda do tanque, fumegando.<\/p>\n<p>III<br \/>\nAgora eram dele. s\u00f3 dele, as tr\u00eas chaves do cofre! E Rui, alargando os bra\u00e7os, respirou deliciosamente. Mal a noite descesse, com o ouro metido nos alforges, guiando a fila das \u00e9guas pelos trilhos da serra, subiria a Medranhos e enterraria na adega o seu tesouro! E quando ali na fonte, e al\u00e9m rente aos silvados, s\u00f3 restassem, sob as neves de Dezembro. alguns ossos sem nome. ele seria u magn\u00edfico senhor de Medranhos, e na capela nova do solar renascido mandaria dizer missas ricas pelos seus dois irm\u00e3os mortos\u2026 Mortos como? Como devem morrer os de Medranhos \u2014 a pelejar contra o Turco!<\/p>\n<p>Abriu as tr\u00eas fechaduras, apanhou um punhado de dobr\u00f5es, que fez retinir sobre as pedras. Que puro ouro, de fino quilate! E era o seu ouro! Depois foi examinar a capacidade dos alforges \u2014 e encontrando as duas garrafas de vinho, e um gordo cap\u00e3o assado, sentiu uma imensa fome. Desde a v\u00e9spera s\u00f3 comera uma lasca de peixe seco. E h\u00e1 quanto tempo n\u00e3o provava cap\u00e3o!<\/p>\n<p>Com que del\u00edcia se sentou na relva, com as pernas abertas, e entre elas a ave loura, que rescendia, e o vinho cor de \u00e2mbar! Ah! Guanes fora bom mordomo \u2014 nem esquecera azeitonas. Mas porque trouxera ele, para tr\u00eas convivas, s\u00f3 duas garrafas? Rasgou uma asa do cap\u00e3o: devorava a grandes dentadas. A tarde descia, pensativa e doce, com nuvenzinhas cor-de-rosa. Para al\u00e9m, na vereda, um bando de corvos grasnava. As \u00e9guas fartas dormitavam, com o focinho pendido. E a fonte cantava, lavando o morto.<\/p>\n<p>Rui ergueu \u00e0 luz a garrafa de vinho. Com aquela cor velha e quente, n\u00e3o teria custado menos de tr\u00eas maravedis. E pondo o gargalo \u00e0 boca, bebeu em sorvos lentos, que lhe faziam ondular o pesco\u00e7o peludo. Oh vinho bendito, que t\u00e3o prontamente aquecia o sangue! Atirou a garrafa vazia \u2014 destapou outra. Mas, como era avisado, n\u00e3o bebeu, porque a jornada para a serra, com o tesouro, requeria firmeza e acerto. Estendido sobre o cotovelo, descansando, pensava em Medranhos coberto de telha nova, nas altas chamas da lareira por noites de neve, e o seu leito com brocados, onde teria sempre mulheres.<\/p>\n<p>De repente, tomado de urna ansiedade, teve pressa de carregar os alforges. J\u00e1 entre os troncos a sombra se adensava. Puxou uma das \u00e9guas para junto do cofre, ergueu a tampa. tomou um punhado de ouro\u2026 Mas oscilou, largando os dobr\u00f5es, que retilintaram no ch\u00e3o, e levou as duas m\u00e3os aflitas ao peito. Que \u00e9, D. Rui? Raios de Deus! Era um lume, um lume vivo, que se lhe acendera dentro, lhe subia at\u00e9 \u00e0s goelas. J\u00e1 rasgara o gib\u00e3o, atirava os passos incertos, e, a arquejar, com a l\u00edngua pendente. limpava as grossas bagas de um suor horrendo que o regelava como neve. Oh Virgem M\u00e3e! Outra vez o lume, mais forte, que alastrava, o ro\u00eda! Gritou:<\/p>\n<p>\u2014 Socorro! Algu\u00e9m! Guanes! Rostabal!<\/p>\n<p>Os seus bra\u00e7os torcidos batiam o ar desesperadamente. E a chama dentro galgava \u2014 sentia os ossos a estalarem como as traves de uma casa em fogo.<\/p>\n<p>Cambaleou at\u00e9 \u00e0 fonte para apagar aquela labareda, trope\u00e7ou sobre Rostabal; e foi com o joelho fincado no morto, arranhando a rocha, que ele, entre uivos, procurava o fio de \u00e1gua. que recebia sobre os olhos, pelos cabelos. Mas a \u00e1gua mais o queimava, como se fosse um metal derretido. Recuou. caiu para cima da relva. que arrancava aos punhados, e que mordia, mordendo os dedos, para lhe sugar a frescura. Ainda se ergueu. com uma baba densa a escorrer-lhe nas barbas: e de repente; esbugalhando pavorosamente os olhos, berrou, como se compreendesse enfim a trai\u00e7\u00e3o, todo o horror:<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 veneno!<\/p>\n<p>Oh! D. Rui, o avisado, era veneno! Porque Guanes, apenas chegara a Retortilho, mesmo antes de comprar os alforges, correra cantando a uma viela, por detr\u00e1s da catedral, a comprar ao velho droguista judeu o veneno que, misturado ao vinho, o tornaria a ele, a ele somente, dono de todo o tesouro.<\/p>\n<p>Anoiteceu. Dois corvos, de entre o bando que grasnava al\u00e9m nos silvados, j\u00e1 tinham pousado sobre o corpo de Guanes. A fonte, cantando. lavava o outro morto. Meio enterrado na erva negra, toda a face de Rui se tornara negra. Uma estrelinha tremeluzia no c\u00e9u.<\/p>\n<p>O tesouro ainda l\u00e1 est\u00e1, na mata de Roquelanes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I Os tr\u00eas irm\u00e3os de Medranhos, Rui, Guanes e Rostabal, eram ent\u00e3o, em todo o Reino das Ast\u00farias, os fidalgos mais famintos e os mais remendados. 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