{"id":627,"date":"2018-07-09T02:52:48","date_gmt":"2018-07-09T02:52:48","guid":{"rendered":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/?p=627"},"modified":"2018-07-09T03:12:01","modified_gmt":"2018-07-09T03:12:01","slug":"a-mascara-da-morte-escarlate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/a-mascara-da-morte-escarlate","title":{"rendered":"A M\u00e1scara da Morte Escarlate"},"content":{"rendered":"<p>Havia muito tempo que a \u201cMorte Escarlte\u201d devastava todo o pa\u00eds. Jamais uma peste fora t\u00e3o letal e t\u00e3o terr\u00edvel. O sangue era a sua encarna\u00e7\u00e3o e o seu sinal: o vermelho e o horror do sangue. Come\u00e7ava com dores agudas, com um desvanecimento s\u00fabito, e logo os poros se punham a sangrar abundantemente. Sobrevinha, ent\u00e3o, a decomposi\u00e7\u00e3o. Manchas escarlates no corpo e, notadamente, no rosto da v\u00edtima, segregavam-na da humanidade e a afastavam de todo socorro e de toda compaix\u00e3o. O cont\u00e1gio, o progresso e o fim da enfermidade consumiam apenas meia hora.<\/p>\n<p>Mas o Pr\u00edncipe Pr\u00f3spero era feliz, intr\u00e9pido e sagaz. Quando os seus dom\u00ednios minguaram \u00e0 metade de almas vivas, convocou um milhar de amigos fortes e de cora\u00e7\u00f5es alegres, escolhidos entre os cavalheiros e damas da sua corte. E, com eles, formou um ref\u00fagio rec\u00f4ndito em uma de suas abadias fortificadas. Tratava-se de uma vasta e magn\u00edfica constru\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o dele mesmo, o Pr\u00edncipe, conforme seu gosto exc\u00eantrico e majestoso. Rodeava a constru\u00e7\u00e3o um muro espesso e elevado, guarnecido de port\u00f5es de ferro. Uma vez transpostos os muros pelos cortes\u00e3os, estes se serviram de fornalha e de vigorosos martelos para soldar os ferrolhos. Deliberaram entrincheirar-se contra os s\u00fabitos impulsos ou os desesperos provenientes do exterior e lacrar todas as sa\u00eddas aos frenesis do interior.<\/p>\n<p>A abadia estava amplamente abastecida. Gra\u00e7as a tais cuidados, os cortes\u00e3os poderiam enfrentar o cont\u00e1gio. Que o exterior se arranjasse como pudesse. De sua feita, seria uma loucura afligir a alma com medita\u00e7\u00f5es sobre a peste. O pr\u00edncipe havia fornido aquele ref\u00fagio com todos os meios prazerosos. Havia buf\u00f5es, improvisadores, bailarinos, m\u00fasicos, formosuras de todas as esp\u00e9cies. E havia, tamb\u00e9m, o vinho. Todas essas belas coisas havia no interior, al\u00e9m da seguran\u00e7a. L\u00e1 fora, disseminava-se a \u201cMorte Escarlate\u201d.<\/p>\n<p>Foi ao fim do quinto ou sexto dia em seu ref\u00fagio, enquanto a peste fazia grande estragos al\u00e9m das muralhas, que o Pr\u00edncipe Pr\u00f3spero proporcionou aos convivas um baile de m\u00e1scaras da mais ins\u00f3lita magnific\u00eancia.<\/p>\n<p>Que quadro voluptuoso era o baile de m\u00e1scaras! Permitam-me descrever os sal\u00f5es onde a festan\u00e7a ocorreu. Havia uma s\u00e9rie de sete sal\u00f5es imperiais. Em muitos pal\u00e1cios, esta s\u00e9rie de sal\u00f5es forma amplas perspectivas, em linha reta, quando as portas se descerram de par em par, de tal forma que a vista penetra at\u00e9 o fundo, sem qualquer obst\u00e1culo. Aqui, o caso era assaz diferente, como se era de esperar da parte daquele Duque e de sua inclina\u00e7\u00e3o pelo bizarro. Estavam as salas dispostas de forma t\u00e3o irregular que a vista n\u00e3o poderia compreender sen\u00e3o um sal\u00e3o de cada vez. Ao t\u00e9rmino de um espa\u00e7o de vinte ou trinta jardas, via-se uma brusca curva e, a cada esquina, o ambiente assumia um aspecto diferente. \u00c0 direita e \u00e0 esquerda, e ao meio de cada parede, uma alta e estreita janela g\u00f3tica abria-se para um corredor fechado, que seguia a sinuosidade dos c\u00f4modos.<\/p>\n<p>Cada janela era guarnecida de vitrais cujas cores harmonizavam-se com a tonalidade dominante da decora\u00e7\u00e3o do sal\u00e3o para o qual se abria. O que ocupava a extremidade oeste, por exemplo, era decorado de azul e os vitrais eram de um azul v\u00edvido. O segundo dos sal\u00f5es era decorado e guarnecido de cor p\u00farpura e os vitrais eram igualmente p\u00farpuras. O terceiro era completamente verde e verdes eram tamb\u00e9m as janelas. O quarto, alaranjado, estava iluminado por uma janela de igual cor. O quinto era branco e o sexto, violeta. O s\u00e9timo era rigorosamente forrado por tape\u00e7aria de veludo negro, que revestia o teto e as paredes, e que ca\u00eda em pesadas rugas sobre um tapete do mesmo material e de mesma cor. Mas, neste sal\u00e3o, a cor dos vitrais n\u00e3o correspondia ao da decora\u00e7\u00e3o: os vitrais eram escarlates, de uma tonalidade intensa de sangue.<\/p>\n<p>Ora, em nenhuma daquelas salas se viam l\u00e2mpadas ou candelabros em meio \u00e0 profus\u00e3o de adornos em ouro, que se espalhavam em todos os cantos, ou se dependuravam ao teto. N\u00e3o havia l\u00e2mpadas ou velas. Luz alguma dessa natureza emanava na seq\u00fc\u00eancia de salas. Por\u00e9m, nos corredores que as envolviam, exatamente em frente de cada janela, elevava-se uma pesada tr\u00edpode com um braseiro, a projetar seus raios atrav\u00e9s dos vitrais coloridos, iluminando deslumbrantemente a sala. Perfazia-se uma mir\u00edade de formas cambiantes e fant\u00e1sticas. Mas, na sala voltada ao poente, na c\u00e2mara negra, a claridade do braseiro, que se refletia sobre as negras tape\u00e7arias, atrav\u00e9s dos vitrais sangrentos, era sobremodo sinistra e incidia sobre as faces dos imprudentes que ali entravam, conferindo-lhes um aspecto de tal forma estranho que muito poucos dan\u00e7arinos se sentiam com suficiente coragem para penetrar no recinto.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nesse sal\u00e3o se erguia, amparado no muro oriental, um gigantesco carrilh\u00e3o de \u00e9bano. Seu p\u00eandulo oscilava com um tic-tac surdo, pesado, mon\u00f3tono; em quando os ponteiros dos minutos haviam percorrido todo o seu c\u00edrculo, e a hora se completava, provinha dos pulm\u00f5es de bronze um som claro, estrepitoso, profundo e extraordinariamente musical, mas de um timbre t\u00e3o regular que, de hora em hora, os m\u00fasicos da orquestra eram obrigados a interromper por alguns segundos a execu\u00e7\u00e3o, para escutar a m\u00fasica das horas; e os dan\u00e7arinos cessavam, \u00e0 for\u00e7a, as suas evolu\u00e7\u00f5es. Uma moment\u00e2nea perturba\u00e7\u00e3o grassava aquela multid\u00e3o alegre e, enquanto soava o carrilh\u00e3o, era poss\u00edvel notar que at\u00e9 os mais arrojados empalideciam e os de maior idade e reflex\u00e3o passavam a m\u00e3o \u00e0 fronte, como se abandonados a uma medita\u00e7\u00e3o confusa ou a um devaneio. E, mal se dissipava o eco das horas, circulava no ambiente leves risadas. Os m\u00fasicos olhavam uns aos outros e se riam dos pr\u00f3prios nervos e da pr\u00f3pria loucura; e juravam, em voz baixa, que, da pr\u00f3xima vez em que soasse o carrilh\u00e3o, n\u00e3o sentiriam o mesmo desconforto. Mas, no entanto, quando decorridos os sessenta minutos da hora desaparecida, que continha os tr\u00eas mil e seiscentos segundos; quando irrompia uma nova batida do rel\u00f3gio fatal, reproduzia-se o mesmo estremecimento, os mesmos calafrios e os mesmos devaneios febris.<\/p>\n<p>Apesar disto, a orgia continuava alegre e magn\u00edfica. O gosto do Duque era especialmente singular. Tinha a vista apurada para as cores e aos efeitos que estas produziam. Desdenhava dos gostos da moda. Seus planos eram temer\u00e1rios e selvagens e suas concep\u00e7\u00f5es brilhavam com um b\u00e1rbaro esplendor. Alguns o julgavam louco. Mas os seus cortes\u00e3os sabiam que n\u00e3o. Todavia, era preciso v\u00ea-lo, toca-lo, para assegurarem-se de que ele n\u00e3o estava de fato ensandecido.<\/p>\n<p>Para esse baile, havia o pr\u00edncipe se ocupado, pessoalmente, da decora\u00e7\u00e3o do mobili\u00e1rio das salas e foi o seu gosto pessoal que elegera o estilo das m\u00e1scaras. D\u00favidas n\u00e3o pode haver de que eram concep\u00e7\u00f5es grotescas. Tudo era deslumbrante e brilhante. Havia coisas chocantes, fant\u00e1sticas, muito do que depois foi visto no \u201cHernani\u201d. Havia figuras arabescas, com membros e adornos desconformes; fantasias delirantes como a loucura. Havia muito de belo, de licencioso, de bizarro; algo de terr\u00edvel e n\u00e3o pouco do que produzia repugn\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Era como se uma mir\u00edade de sonhos deslizasse de um lado para o outro nas sete salas. E tais sonhos se contorciam em todos os sentidos, tomando a cor dos sal\u00f5es, fazendo com que a estranha m\u00fasica da orquestra parecesse o eco de seus pr\u00f3prios passos. Mas logo soava o rel\u00f3gio de \u00e9bano no sal\u00e3o dos veludos. Ent\u00e3o, por um momento, tudo se detinha, tudo emudecia, salvo o ecoar do rel\u00f3gio. Tudo se congelava em suas posturas. Mas os ecos do carrilh\u00e3o se desvaneceram \u2013 n\u00e3o duraram sen\u00e3o um momento \u2013, e, mal se extinguiram, as gargalhadas, mal reprimidas, ecoavam por todos os cantos. E a m\u00fasica voltava a tocar, reavivando os sonhos; aqui e ali os dan\u00e7arinos retomavam as evolu\u00e7\u00f5es, mais alegre do que nunca, refletindo a cor dos vitrais atr\u00e1s dos quais flu\u00edam os raios da tr\u00edpoda. Por\u00e9m, no sal\u00e3o do extremo ocidental, n\u00e3o havia m\u00e1scara alguma que se atrevesse a penetrar, porque a noite declinava. Ali se descerrava uma luz de um escarlate profundo, atrav\u00e9s dos vitrais cor de sangue, e a escurid\u00e3o das cortinas tingidas de negro era aterradora. E, para aqueles que punham os p\u00e9s sobre os tapetes, brotava do rel\u00f3gio de \u00e9bano um clangor ainda mais pesado, mais solenemente en\u00e9rgico que o que chegava aos ouvidos dos mascarados que se divertiam nos sal\u00f5es mais distantes.<\/p>\n<p>Mas esses outros sal\u00f5es estavam repletos e o cora\u00e7\u00e3o da vida ali febrilmente pulsava. E o baile continuava, chegava ao seu \u00e1pice, quando do carrilh\u00e3o soou a meia-noite. Ent\u00e3o, como j\u00e1 se disse, a m\u00fasica parou; os que dan\u00e7avam detiveram-se em suas evolu\u00e7\u00f5es. E a angustiante imobilidade a tudo dominou. Agora, por\u00e9m, o carrilh\u00e3o bateria doze vezes. Desta vez, porque ecoou o mais longamente o carrilh\u00e3o, inseriram-se nos pensamentos dos que se atiravam \u00e0 divers\u00e3o um maior volume de medita\u00e7\u00f5es. E talvez, por isso mesmo, muitos do que compunham a multid\u00e3o, antes de se esgotarem os derradeiros ecos das \u00faltimas horas dadas, puderam perceber a presen\u00e7a de um mascarado que, at\u00e9 aquele instante, ningu\u00e9m notara. E, tendo se espalhado, aos sussurros, a not\u00edcia daquela intrus\u00e3o, insinuou-se na multid\u00e3o um murm\u00fario indicativo de surpresa e desaprova\u00e7\u00e3o, que evoluiu para o terror, horror e repugn\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Numa multid\u00e3o fantasmag\u00f3rica como a que descrevi, era necess\u00e1rio, sem d\u00favidas, que fosse a apari\u00e7\u00e3o absolutamente extraordin\u00e1ria para ensejar tal sensa\u00e7\u00e3o. A licenciosidade carnavalesca daquela noite era, realmente, quase sem limites. Mas a personagem em quest\u00e3o havia transcendido \u00e0 extravag\u00e2ncia de um Herodes e ultrapassado os amplos limites do decoro que o Pr\u00edncipe estabelecera. H\u00e1 nos mais temer\u00e1rios cora\u00e7\u00f5es cordas que n\u00e3o se deixam tocar sem emo\u00e7\u00f5es. At\u00e9 entre os depravados, para quem a vida e a morte s\u00e3o igualmente um brinquedo, h\u00e1 coisas com as quais n\u00e3o se pode brincar. Os convivas pareciam sentir, profundamente, a inconveni\u00eancia dos os trajes e da conduta do estranho. Era ele alto e delgado. Estava envolto com uma mortalha funer\u00e1ria da cabe\u00e7a aos p\u00e9s. A m\u00e1scara, que lhe ocultava as faces, reproduzia fielmente o semblante de um r\u00edgido cad\u00e1ver, que um exame apurado teria dificuldades em perceber o engano. Ora, aquela fren\u00e9tica multid\u00e3o bem poderia tolerar, e mesmo aprovar, aquela desagrad\u00e1vel figura, acaso o mascarado n\u00e3o tivesse adotado a representa\u00e7\u00e3o da \u201cMorte Escarlate\u201d. Suas roupas estavam enodoadas de sangue e a sua ampla testa, assim como as suas fei\u00e7\u00f5es, salpicadas do horror escarlate.<\/p>\n<p>Quando os olhos do Pr\u00edncipe Pr\u00f3spero focaram a espectral figura \u2013 que, com solenes e enf\u00e1ticos movimentos, feitos para melhor representar o seu papel, evolu\u00eda aqui e ali entre os dan\u00e7arinos \u2013, caiu numa violenta como\u00e7\u00e3o e estremecimento, tomado pelo terror e pela repugn\u00e2ncia. E, segundos depois, sua fronte se enegreceu de ira:<\/p>\n<p>&#8211; Quem se atreve \u2013 perguntou com rouca voz aos cortes\u00e3os que o rodeavam -, quem ousa a nos insultar com esta ironia blasfema? Segurem-no e desmascarem-no, para que saibamos a quem iremos enforcar, nos altos das almeias, ao amanhecer!<\/p>\n<p>Encontrava-se o Pr\u00edncipe Pr\u00f3spero, ao pronunciar estas palavras, no sal\u00e3o oriental, ou c\u00e2mara azul, e a voz do Pr\u00edncipe Pr\u00f3spero ressonou potente e clara pelos sete sal\u00f5es, pois o Pr\u00edncipe era um homem impetuoso e forte, e a m\u00fasica havia cessado a um gesto de sua m\u00e3o. Estes fatos ocorriam no sal\u00e3o oriental, sendo o Pr\u00edncipe ladeado por um grupo de p\u00e1lidos cortes\u00e3os. No in\u00edcio, enquanto falava o Pr\u00edncipe, o grupo se movimentou, levemente, na dire\u00e7\u00e3o do intruso, que esteve, por um momento, quase ao alcance de suas m\u00e3os, mas que agora, com passos firmes e majestosos, se acercava cada vez mais do Pr\u00edncipe. Mas, em raz\u00e3o do indefin\u00edvel terror que a aud\u00e1cia do mascarado havia inspirado em todos aqueles que ali se reuniam, ningu\u00e9m estendeu a m\u00e3o para agarr\u00e1-lo, mesmo quando, sem qualquer obst\u00e1culo, passou a dois passos da pessoa do Pr\u00edncipe. E tanto que a mesma assembl\u00e9ia, como que obediente a um s\u00f3 movimento, recuou do centro do sal\u00e3o \u00e0s paredes. O mascarado seguiu, sem interrup\u00e7\u00e3o, o seu caminho, com os mesmos passos solenes e bem medidos, com os quais, desde o in\u00edcio, se distinguira, passando da sala azul \u00e0 p\u00farpura; da sala verde \u00e0 alaranjada; e desta \u00e0 branca; e da branca \u00e0 violeta, sem que houvesse quem o detivesse.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o Pr\u00edncipe Pr\u00f3spero, tomado de ira e de vergonha pela covardia moment\u00e2nea, precipitou-se atrav\u00e9s das seis salas, sem que ningu\u00e9m o seguisse, porque um temor mortal se apoderara de todos os convivas. Brandiu um punhal e se aproximou a uma dist\u00e2ncia de tr\u00eas ou quatros passos do fantasma que se retirava, quando este \u00faltimo, ao aproximar-se da sala de veludo, voltou-se bruscamente, afrontando aquele que o perseguia.<\/p>\n<p>Ecoou um grito agudo e o punhal caiu, como um rel\u00e2mpago, sobre o tapete f\u00fanebre, onde o Pr\u00edncipe o Pr\u00edncipe Pr\u00f3spero tombou morto, instantaneamente. Ent\u00e3o, invocando a fren\u00e9tica coragem do desespero, a multid\u00e3o de mascarados precipitou-se \u00e0 sala negra, e, agarrando-se ao desconhecido, que se mantinha im\u00f3vel e ereto como uma grande est\u00e1tua \u00e0 sombra do carrilh\u00e3o, viu-se presa de um terror inomin\u00e1vel, ao perceber que n\u00e3o havia forma tang\u00edvel alguma sob a mortalha e sob a m\u00e1scara cadav\u00e9rica. Todos reconheceram, ent\u00e3o, que ali estava presente a \u201cMorte Escarlate\u201d. Ela se insinuara como um ladr\u00e3o noturno.<\/p>\n<p>E todos os convivas tombaram, um a um, nos sal\u00f5es das orgias, manchados de sangue, morrendo na mesma postura desesperada com a qual desabaram.<\/p>\n<p>E a vida do rel\u00f3gio de \u00e9bano se extinguiu com a do \u00faltimo daqueles seres licenciosos. E murcharam as chamas das tr\u00edpodas. E as Trevas, e a Ru\u00edna e a \u201cMorte Escarlate\u201d deitaram sobre tudo o seu ilimitado dom\u00ednio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia muito tempo que a \u201cMorte Escarlte\u201d devastava todo o pa\u00eds. Jamais uma peste fora t\u00e3o letal e t\u00e3o terr\u00edvel. 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