{"id":723,"date":"2018-07-09T16:24:48","date_gmt":"2018-07-09T16:24:48","guid":{"rendered":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/?p=723"},"modified":"2018-07-09T16:27:53","modified_gmt":"2018-07-09T16:27:53","slug":"uma-rosa-na-campa-de-homero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/uma-rosa-na-campa-de-homero","title":{"rendered":"Uma Rosa na Campa de Homero"},"content":{"rendered":"<p>Em todas as can\u00e7\u00f5es do Oriente soa o amor do rouxinol pela rosa. Nas noites calmas, claras de estrelas, o cantor alado faz uma serenata \u00e0 sua odorosa flor.<\/p>\n<p>N\u00e3o longe de Esmirna, sob os altos pl\u00e1tanos, para onde o mercador puxa os camelos carregados que levantam orgulhosamente os pesco\u00e7os altos e pisam desajeitados a terra, que \u00e9 santa, vi um roseiral florido. Pombas bravas voavam entre os ramos altos das \u00e1rvores e as suas asas cintilavam, quando um raio de sol tombava sobre elas, como se fossem de madrep\u00e9rola.<\/p>\n<p>No roseiral havia uma flor entre todas a mais bonita e era para esta que cantava o rouxinol as suas m\u00e1goas de amor. Mas a rosa estava silente, nem uma gota de orvalho havia, como l\u00e1grima de compaix\u00e3o, nas suas p\u00e9talas. Curvava-se com o caule para baixo sobre umas pedras.<\/p>\n<p>\u2013 Jaz aqui o maior cantor da terra! \u2013 disse a rosa. \u2013 Quero perfumar a sua campa. Sobre ela quero derramar as minhas p\u00e9talas, quando a tempestade as arrancar. O cantor da Il\u00edada tornou-se terra nesta terra, donde broto\u2026 Eu, uma rosa da campa de Homero, sou demasiado sagrada para florir para o pobre rouxinol!<\/p>\n<p>E o rouxinol cantou at\u00e9 morrer.<\/p>\n<p>O condutor de camelos chegou, com os seus camelos carregados e os seus escravos negros. O filhinho dele encontrou o p\u00e1ssaro morto. Enterrou-o na campa do grande Homero. E a rosa agitou-se ao vento. Veio a noite, a rosa fechou completamente as p\u00e9talas e sonhou\u2026 que era um belo dia de sol. Chegava uma multid\u00e3o de estrangeiros, de francos. Faziam uma viagem de peregrina\u00e7\u00e3o, \u00e0 campa de Homero. Entre os estrangeiros havia um cantor do Norte, da terra das neblinas e das auroras boreais. Arrancou a rosa, premiu-a num livro e levou-a consigo para outra parte do mundo, para a sua p\u00e1tria distante. E a rosa murchou de pena e ficou no livro fechado, que ele abriu em casa, dizendo:<\/p>\n<p>\u2013 Eis uma rosa da campa de Homero!<\/p>\n<p>Ora vejam, isto sonhou a flor que acordou e estremeceu ao vento. Uma gota de orvalho caiu das suas p\u00e9talas na campa do cantor e o sol ergueu-se, o dia tornou-se quente e a rosa resplandeceu ainda mais bela do que antes \u2013 estava na sua \u00c1sia quente. Ouviram-se ent\u00e3o passos, vieram estrangeiros, francos, que a rosa vira no seu sonho e entre os estrangeiros havia um poeta do Norte. Este arrancou a rosa, premiu um beijo na sua boca fresca e levou-a consigo para a terra de neblinas e auroras boreais.<\/p>\n<p>Como uma m\u00famia repousa agora o cad\u00e1ver da flor na sua Il\u00edada e como em sonho ouve ela abrir o livro a dizer: \u201cEis uma rosa da campa de Homero!\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em todas as can\u00e7\u00f5es do Oriente soa o amor do rouxinol pela rosa. Nas noites calmas, claras de estrelas, o cantor alado faz uma serenata \u00e0 sua odorosa flor. N\u00e3o longe de Esmirna, sob os&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[31],"class_list":["post-723","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-hans-christian-andersen"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=723"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/723\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":728,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/723\/revisions\/728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}