{"id":853,"date":"2018-07-09T23:12:57","date_gmt":"2018-07-09T23:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/?p=853"},"modified":"2018-07-09T23:14:14","modified_gmt":"2018-07-09T23:14:14","slug":"a-esfinge-sem-segredo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/a-esfinge-sem-segredo","title":{"rendered":"A Esfinge sem Segredo"},"content":{"rendered":"<p>Uma \u00e1gua-forte<\/p>\n<p>Achava-me numa tarde sentado no terra\u00e7o do Caf\u00e9 Paz, contemplando o fausto e a pobreza da vida parisiense, a meditar, enquanto bebericava o meu vermute, sobre o estranho panorama de orgulho e mis\u00e9ria que desfilava diante de mim, quando ouvi algu\u00e9m pronunciar o meu nome. Voltei-me e dei com os olhos em Lord Murchison. N\u00e3o nos t\u00ednhamos tornado a ver desde que estiv\u00e9ramos juntos no col\u00e9gio, havia isto uns dez anos, de modo que encheu-me de satisfa\u00e7\u00e3o aquele encontro e apertamos as m\u00e3os cordialmente. T\u00ednhamos sido grandes amigos em Oxford. Gostaria dele imensamente. Era t\u00e3o bonito, t\u00e3o comunicativo, t\u00e3o cavalheiresco. Costum\u00e1vamos dizer dele que seria o melhor dos sujeitos, se n\u00e3o falasse sempre a verdade, mas acho que, na realidade, o admir\u00e1vamos mais justamente por causa da sua franqueza. Encontrei-o muito mudado. Parecia inquieto, perturbado e em d\u00favida a respeito de alguma coisa. Senti que n\u00e3o podia ser o cepticismo moderno, pois Murchison era um dos conservadores mais inabal\u00e1veis e acreditava no Pentateuco com a mesma firmeza com que acreditava na C\u00e2mara dos Pares. De modo que conclui que havia alguma mulher naquilo e perguntei-lhe se ainda n\u00e3o se havia casado.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o compreendo as mulheres bastante bem \u2013 respondeu.<\/p>\n<p>\u2013 Meu caro Geraldo \u2013 disse -, as mulheres est\u00e3o feitas para serem amadas e n\u00e3o para serem compreendidas.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o posso amar sem ter confian\u00e7a absoluta \u2013 replicou.<\/p>\n<p>\u2013 Creio que h\u00e1 um mist\u00e9rio na sua vida, Geraldo \u2013 exclamei. \u2013 Conte-me isso.<\/p>\n<p>\u2013 Vamos dar um passeio de carro \u2013 respondeu. \u2013 H\u00e1 gente demais aqui. Esse carro amarelo, n\u00e3o. Um de qualquer outra cor\u2026 aquele ali, verde escuro serve.<\/p>\n<p>Dentro de poucos minutos est\u00e1vamos a descer a trote o bulevar na direc\u00e7\u00e3o da Madalena.<\/p>\n<p>\u2013 Para onde vamos? \u2013 perguntei.<\/p>\n<p>\u2013 Oh! para onde voc\u00ea quiser! \u2013 respondeu. \u2013 Para o restaurante do Bosque. Jantaremos ali e contar-me-\u00e1 tudo a respeito da sua vida.<\/p>\n<p>\u2013 Primeiro quero que voc\u00ea me conte a sua. Revele-me o seu mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Tirou do bolso uma pequena carteira de marroquim com fecho de prata e entregou-ma. Abri-a. Dentro havia a fotografia de uma mulher. Era alta e esbelta e de aspecto singular com grandes olhos misteriosos e cabelos soltos. Parecia uma clairvoyante\u00b9 e achava-se envolta em ricas peles.<\/p>\n<p>\u2013 Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o a respeito desse rosto \u2013 perguntou ele. \u2013 Inspira confian\u00e7a?<br \/>\nExaminei o retrato atentamente. Parecia-me o rosto de algu\u00e9m que guarda um segredo, mas o que n\u00e3o podia dizer era se o segredo fosse bom ou mau. Aquela beleza parecia feita de muitos mist\u00e9rios reunidos, uma beleza, de facto, mais psicol\u00f3gica do que pl\u00e1stica, e o ligeiro sorriso que lhe flutuava nos l\u00e1bios era demasiado subtil para ter realmente encanto.<\/p>\n<p>\u2013 Bem \u2013 exclamou ele, impaciente \u2013 que me diz?<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 a Gioconda em vestes de luto \u2013 respondi. \u2013 Conte-me tudo quanto a ela se refere.<\/p>\n<p>\u2013 Agora n\u00e3o; depois do jantar \u2013 disse ele e come\u00e7ou a conversar a respeito de outras coisas.<\/p>\n<p>Quando o empregado trouxe o nosso caf\u00e9 e os cigarros, lembrei a Geraldo a sua promessa. Ele levantou-se da sua cadeira, caminhou duas ou tr\u00eas vezes acima e abaixo na sala e, deixando-se cair numa cadeira de bra\u00e7os, contou-me a seguinte hist\u00f3ria:<\/p>\n<p>\u2013 Uma tarde, a\u00ed pelas cinco horas, descia eu pela Rua Bond. Havia uma terr\u00edvel aglomera\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e o tr\u00e1fego quase parado. Perto do passeio estava parado um carrinho fechado, amarelo, que, por esse ou aquele motivo, atraiu a minha aten\u00e7\u00e3o. Ao passar ao seu lado, vi surgir dele, a olhar para fora, o rosto que lhe mostrei ainda h\u00e1 pouco. Fascinou-me imediatamente. Fiquei a noite inteira a pensar nele e o dia seguinte tamb\u00e9m. Subi e desci v\u00e1rias vezes por entre aquela maldita confus\u00e3o, lan\u00e7ando um olhar perscrutador para dentro de todo carro, \u00e0 espera do carro fechado amarelo. Mas n\u00e3o pude descobrir ma belle inconnue\u00b2 e afinal comecei a pensar que era ela apenas um sonho. Cerca de uma semana depois, estava a jantar com Madame de Rastail. O jantar estava marcado para as oito horas, mas \u00e0s oito e meia ainda nos ach\u00e1vamos \u00e0 espera na sala de visitas. Por fim o criado abriu a porta e anunciou Lady Alroy. Era a mulher que eu estivera a procurar. Entrou muito devagar, parecendo um raio de lua cercado de renda cinzenta, e, para intenso deleite meu, pediram-me que a conduzisse \u00e0 sala de jantar. Depois de nos sentarmos, observei-lhe com a maior inoc\u00eancia:<\/p>\n<p>\u201cCreio que j\u00e1 a vi, h\u00e1 algum tempo, na Rua Bond, Lady Alroy\u201d.<\/p>\n<p>Ela ficou muito p\u00e1lida e disse-me, em voz baixa:<\/p>\n<p>\u201cPor favor, n\u00e3o fale t\u00e3o alto. Podem ouvi-lo\u201d.<\/p>\n<p>Senti-me desditos\u00edssimo por ter come\u00e7ado t\u00e3o mal e mergulhei cegamente numa disserta\u00e7\u00e3o sobre pe\u00e7as francesas. Ela falava pouqu\u00edssimo, sempre com a mesma voz baixa e musical, parecendo receosa de que algu\u00e9m a estivesse escutando. Senti-me apaixonadamente, estupidamente enamorado e a indefin\u00edvel atmosfera de mist\u00e9rio que a cercava excitava, a mais n\u00e3o poder, a minha curiosidade. Quando ela se retirou, logo ap\u00f3s o jantar, perguntei-lhe se poderia visit\u00e1-la. Hesitou um momento, olhou em redor para ver se algu\u00e9m estava perto de n\u00f3s e depois disse:<\/p>\n<p>\u201cSim; amanh\u00e3 a um quarto para as cinco\u201d.<\/p>\n<p>Roguei a Madame de Rastail que me desse informa\u00e7\u00f5es a respeito dela; mas tudo quanto pude saber \u00e9 que era uma vi\u00fava, morando numa bela casa em Park Lane e, como naquele momento um desses cientistas cacetes come\u00e7asse uma disserta\u00e7\u00e3o a respeito de vi\u00favas, para exemplificar a sobreviv\u00eancia dos matrimonialmente mais ajustados, despedi-me e fui para casa.<\/p>\n<p>No dia seguinte cheguei pontualmente a Park Lane, no momento exacto, mas o mordomo disse-me que Lady Alroy tinha acabado de sair. Dirigi-me ao clube, bastante desiludido e confuso e, depois de muito reflectir, escrevi-lhe uma carta, perguntando-lhe se me seria permitido tentar a sorte em alguma outra parte. Por v\u00e1rios dias n\u00e3o recebi resposta, mas afinal chegou-me \u00e0s m\u00e3os um bilhetinho, dizendo-me que estaria ela em casa no domingo, \u00e0s quatro e com este extraordin\u00e1rio p\u00f3s-escrito: \u201cPor obs\u00e9quio n\u00e3o torne a escrever para mim aqui; explicar-lhe-ei, quando o vir\u201d. No domingo, recebeu-me e mostrou-se perfeitamente encantadora. Mas quando me despedia, pediu-me que, se alguma vez tivesse ocasi\u00e3o de escrever-lhe de novo, dirigisse a minha carta para<\/p>\n<p>\u201cSra. Knox, aos cuidados da Biblioteca Whittaker, Rua Verde\u201d. \u201cH\u00e1 motivos \u2013 disse ela \u2013 pelos quais n\u00e3o posso receber cartas em minha pr\u00f3pria casa\u201d.<\/p>\n<p>Durante toda a temporada via-a amiudadas vezes e a atmosfera de mist\u00e9rio sempre se manteve em torno dela. \u00c0s vezes pensava que se achava ela em poder de algum homem, mas parecia t\u00e3o inabord\u00e1vel que n\u00e3o podia acreditar naquilo. Era realmente dif\u00edcil para mim chegar a qualquer conclus\u00e3o, pois ela era como um desses estranhos cristais que a gente v\u00ea em museus e que s\u00e3o, num momento, claros, e em outro, turvos. Por fim, decidi-me a pedi-la em casamento. Senti-me doente e cansado daquele incessante segredo que impunha a todas as minhas visitas e \u00e0s poucas cartas que lhe enviei. Escrevi-lhe para a biblioteca, perguntando-lhe se podia ver-me na segunda-feira seguinte, \u00e0s seis horas. Respondeu que sim e senti-me transportado ao s\u00e9timo c\u00e9u. Estava apaixonado por ela, a despeito do mist\u00e9rio, pensava ent\u00e3o\u2026 em consequ\u00eancia dele, vejo agora. N\u00e3o; era a mulher mesma que eu amava. O mist\u00e9rio perturbava-me, enlouquecia-me. Porque o acaso fez-me descobrir a pista?<\/p>\n<p>\u2013 Descobriu-a ent\u00e3o? \u2013 exclamei.<\/p>\n<p>\u2013 Receio que sim \u2013 respondeu. \u2013 Julgue voc\u00ea por si mesmo. Quando chegou a segunda-feira, fui almo\u00e7ar com meu tio e cerca das quatro horas encontrava-me em Marylebone Road. Meu tio, como voc\u00ea sabe, mora em Regent\u2019s Park. Queria alcan\u00e7ar Piccadilly e, para atalhar, meti-me por uma enfiada de becos miser\u00e1veis. De repente avistei \u00e0 minha frente Lady Alroy, com um espesso v\u00e9u e caminhando muito apressada. Ao chegar \u00e0 derradeira casa da rua, subiu os degraus, tirou do bolso uma chave, abriu a porta e entrou. \u201cAqui est\u00e1 o mist\u00e9rio\u201d, disse a mim mesmo e apressei-me em examinar a casa. Parecia uma esp\u00e9cie de pr\u00e9dio de aluguer. No degrau da porta estava ca\u00eddo o len\u00e7o dela. Apanhei-o e meti-o no bolso. Depois comecei a reflectir no que devia fazer. Cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o tinha o direito de espion\u00e1-la. Tomei um carro e segui para o clube. \u00c0s seis horas fui visit\u00e1-la. Estava sentada num sof\u00e1, em traje de ch\u00e1, um tecido prateado, preso por uns broches de certas estranhas pedras lunares que sempre usava. Era de uma beleza perfeita.<\/p>\n<p>\u201cAlegra-me tanto v\u00ea-lo \u2013 disse. \u2013 N\u00e3o sa\u00ed hoje durante o dia\u201d.<\/p>\n<p>Olhei para ela, estupefacto e tirando o len\u00e7o do meu bolso, entreguei-lho.<\/p>\n<p>\u201cDeixou cair isto esta tarde, Lady Alroy, na Rua Cumnor\u201d \u2013 disse eu, calmamente.<\/p>\n<p>Ela olhou para mim, aterrorizada, mas n\u00e3o fez o menor gesto para pegar no len\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cQue estava a fazer ali?\u201d \u2013 perguntei.<\/p>\n<p>\u201cQue direito tem o senhor de fazer-me perguntas?\u201d \u2013 replicou.<\/p>\n<p>\u201cO direito de um homem que a ama\u201d \u2013 respondi-lhe. \u2013 \u201cVim aqui para pedi-la em casamento\u201d.<\/p>\n<p>Ocultou o rosto nas m\u00e3os e desfez-se em pranto.<\/p>\n<p>\u201cTem de responder-me\u201d \u2013 continuei.<\/p>\n<p>Ela ergueu-se e, fitando-me o rosto, disse:<\/p>\n<p>\u201cLorde Murchison, nada tenho a dizer-lhe\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFoi encontrar algu\u00e9m\u201d \u2013 exclamei. \u2013 \u201c\u00c9 esse o seu mist\u00e9rio\u201d.<\/p>\n<p>Ela ficou terrivelmente p\u00e1lida e disse:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o fui encontrar ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o pode dizer a verdade?\u201d \u2013 exclamei.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 a disse\u201d \u2013 replicou ela.<\/p>\n<p>Eu estava a enlouquecer, alucinado. N\u00e3o sei o que disse, mas foram coisas terr\u00edveis. Por fim, sa\u00ed \u00e0 pressa da casa. Escreveu-me uma carta no dia seguinte. Devolvi-lha, intacta e parti para a Noruega, em companhia de Alan Colville. Um m\u00eas depois regressei e a primeira coisa que vi no Morning Post foi a not\u00edcia da morte de Lady Alroy. Apanhara um resfriado na \u00d3pera e morrera, dentro de cinco dias, de congest\u00e3o pulmonar. Fechei-me em casa e n\u00e3o quis ver ningu\u00e9m. Tinha-a amado tanto, tinha-a amado t\u00e3o loucamente! Meu Deus! Quanto amara eu aquela mulher!<\/p>\n<p>\u2013 E voc\u00ea, foi \u00e0quela rua, \u00e0quela casa? \u2013 perguntei.<\/p>\n<p>\u2013 Sim \u2013 respondeu.<\/p>\n<p>\u2013 Um dia, fui \u00e0 Rua Cumnor. N\u00e3o podia deixar de faz\u00ea-lo. Vivia torturado pela d\u00favida. Bati \u00e0 porta e uma mulher de aspecto respeit\u00e1vel abriu-a para mim. Perguntei-lhe se havia quartos para alugar.<\/p>\n<p>\u201cBem, meu senhor \u2013 respondeu ela \u2013 as salas podem ser alugadas, mas h\u00e1 tr\u00eas meses que n\u00e3o tenho visto a senhora e como os alugueres est\u00e3o-se a acumular, o senhor poder\u00e1 alug\u00e1-las\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 esta a senhora?\u201d \u2013 perguntei, mostrando-lhe a fotografia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 ela, sim, com toda certeza\u201d \u2013 exclamou a mulher. \u2013 \u201cE quando estar\u00e1 de volta, meu senhor?\u201d<\/p>\n<p>\u201cMorreu\u201d \u2013 respondi.<\/p>\n<p>\u201cOh! meu senhor, n\u00e3o diga!\u201d \u2013 disse a mulher. \u2013 \u201cEra a minha melhor inquilina. Pagava-me tr\u00eas guin\u00e9us por semana simplesmente para vir sentar-se nesta minha sala de vez em quando\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEncontrava-se com algu\u00e9m aqui?\u201d \u2013 perguntei, mas a mulher garantiu-me que tal n\u00e3o ocorria, que ela sempre vinha sozinha e n\u00e3o via ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cMas afinal que fazia ela aqui?\u201d \u2013 exclamei.<\/p>\n<p>\u201cFicava simplesmente sentada na sala, meu senhor, lendo livros e \u00e0s vezes tomava ch\u00e1\u201d \u2013 respondeu a mulher.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabia o que dizer, de modo que lhe dei um soberano e sa\u00ed. Agora, que pensa que significava tudo aquilo? N\u00e3o acredita que a mulher estivesse a dizer a verdade?<\/p>\n<p>\u2013 Acredito.<\/p>\n<p>\u2013 Ent\u00e3o por que ia Lady Alroy ali?<\/p>\n<p>\u2013 Meu caro Geraldo \u2013 respondi \u2013 Lady Alroy era simplesmente uma mulher com a mania do mist\u00e9rio. Alugava aqueles quartos somente pelo prazer de ir ali, de v\u00e9u descido e imaginando ser uma hero\u00edna. Tinha paix\u00e3o pelo segredo, mas n\u00e3o passava de uma simples esfinge sem segredo.<\/p>\n<p>\u2013 Estou convencido disto \u2013 repliquei.<\/p>\n<p>Lorde Murchison tirou do bolso a carteira de marroquim, abriu-a e olhou a fotografia.<\/p>\n<p>Quem sabe? \u2013 disse afinal.<\/p>\n<p><b>Notas:<\/b><\/p>\n<p>1)\u00a0Vidente<br \/>\n2)\u00a0Minha bela desconhecida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma \u00e1gua-forte Achava-me numa tarde sentado no terra\u00e7o do Caf\u00e9 Paz, contemplando o fausto e a pobreza da vida parisiense, a meditar, enquanto bebericava o meu vermute, sobre o estranho panorama de orgulho e mis\u00e9ria&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[41],"class_list":["post-853","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-oscar-wild"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=853"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/853\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":859,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/853\/revisions\/859"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}