{"id":865,"date":"2018-07-09T23:15:53","date_gmt":"2018-07-09T23:15:53","guid":{"rendered":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/?p=865"},"modified":"2018-07-09T23:20:12","modified_gmt":"2018-07-09T23:20:12","slug":"memnon-o-filosofo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rubensbraz.com\/contos\/memnon-o-filosofo","title":{"rendered":"Memnon, o Fil\u00f3sofo"},"content":{"rendered":"<p>Memnon, certo dia, meteu na cabe\u00e7a ser um grande fil\u00f3sofo. Poucos homens h\u00e1 que n\u00e3o tenham, nesta ou naquela ocasi\u00e3o, concebido o mesmo projeto insensato. E diz Memnon de si para si:<\/p>\n<p>\u201cSe quiser ser um perfeito fil\u00f3sofo, e naturalmente gozar de perfeita felicida-de, nada terei a fazer sen\u00e3o despir-me inteiramente de todas as paix\u00f5es; e, nada mais f\u00e1cil, como todo mundo sabe. Em primeiro lugar, jamais amarei, porque, quando avistar uma mulher bonita direi comigo mesmo: aquelas faces murchar\u00e3o um dia; vermelhos e lacrimosos se tornar\u00e3o aqueles olhos; fl\u00e1cidos, cair\u00e3o aqueles seios, e aquela cabe\u00e7a tornar-se-\u00e1 calva. Isto \u00e9, bastar-me-\u00e1 imaginar o que ser\u00e1 ela no futuro, e certamente n\u00e3o haver\u00e1 rosto bonito que me vire a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, serei sempre moderado. Em v\u00e3o me tentar\u00e3o seduzir com bom petisco, delicioso vinho, ou os encantos da sociedade. Ser\u00e1 suficiente que me figure as conseq\u00fc\u00eancias do excesso, uma dor de cabe\u00e7a, a indigest\u00e3o, a perda do ju\u00edzo, da sa\u00fade e do tempo. Comerei, pois, apenas para suprir os gastos da natureza; permanecer\u00e1 est\u00e1vel a minha sa\u00fade, e minhas id\u00e9ias ser\u00e3o sempre luminosas e puras. \u00c9 tudo t\u00e3o f\u00e1cil que m\u00e9rito algum h\u00e1 de consegu\u00ed-lo.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, \u2013 ainda diz Memnon \u2013 pensar um pouco no dinheiro: meus desejos s\u00e3o moderados, minha riqueza est\u00e1 entregue ao Recebedor Geral de Finan\u00e7as de N\u00ednive: tenho que viver independente e esta \u00e9 a maior das b\u00ean\u00e7\u00e3os. Nunca me encontrarei na cruel necessidade de bajular a corte; n\u00e3o invejarei ningu\u00e9m, e ningu\u00e9m me invejar\u00e1; todavia, isto \u00e9 f\u00e1cil de conseguir. Tenho amigos, continuou ele, e con-serv\u00e1-los-ei, pois me far\u00e3o diferen\u00e7a; n\u00e3o levarei a mal o que eles disserem ou fize-rem; e da mesma forma se comportar\u00e3o eles comigo. E n\u00e3o h\u00e1 dificuldade neste particular.\u201d<\/p>\n<p>Estabelecido desse modo o seu modesto plano filos\u00f3fico, Memnon aproximou-se da janela e olhou para a rua. Viu duas mulheres que caminhavam sob os pl\u00e1tanos pr\u00f3ximos de sua casa. Uma era velha, e dir-se-ia n\u00e3o pensar em nada; e outra, bonita, parecia muito agitada; suspirava, chorava, e com tudo isso tornava-se ainda mais bonita. Comoveu-se o nosso fil\u00f3sofo, n\u00e3o, \u00e9 claro, com a formosura da senhora (era forte sua delibera\u00e7\u00e3o de n\u00e3o se deixar levar por tais emo\u00e7\u00f5es), mas sim com o desgosto que no rosto dela se estampava. Desceu a escada e interpelou a jovem ninivita, no intuito de levar-lhe o consolo da filosofia. A ador\u00e1vel criatura contou-lhe ent\u00e3o, com ar de grande simplicidade, e de maneira afetuos\u00edssima, as inj\u00farias que sofria de um tio imagin\u00e1rio, da manha com que a despojara ele de seus bens imagin\u00e1rios, e das viol\u00eancias que fingiu sofrer. \u201cVejo ser o senhor \u2013 disse depois \u2013 homem de tamanha sabedoria, que se condescender em seguir-me at\u00e9 a minha casa e examinar de perto a minha situa\u00e7\u00e3o, estou convencida de que me livrar\u00e1 dos cru\u00e9is sofrimentos de que sou v\u00edtima.\u201d N\u00e3o hesitou Memnon em acompanh\u00e1-la, a fim de filosoficamente examinar-lhe os problemas \u00edntimos e dar-lhe avisado conselho.<\/p>\n<p>Conduziu-o a aflita senhora a um quarto perfumado, e polidamente f\u00ea-lo sentar-se com ela num largo sof\u00e1, onde ambos se colocaram em posi\u00e7\u00e3o de conversa, um em frente do outro, as pernas cruzadas; uma, ansiosa por contar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, o outro, pronto para escut\u00e1-la com aten\u00e7\u00e3o devota. A senhora falou com os olhos baixos, dos quais uma ou outra vez deslizava uma l\u00e1grima, e quando se aventurava a ergu\u00ea-los, se encontravam sempre com os do s\u00e1bio Memnon. Cheio de ternura foi o discurso dela, e redobrava de meiguice toda vez que seus olhos se encontravam. Memnon acolheu em seu cora\u00e7\u00e3o, com excessivo ardor, os lamentos da senhora, e a cada instante mais e mais inclinado se sentia a servir uma t\u00e3o virtuosa e infeliz criatura. Aos poucos, com o calor da conversa, deixaram de sentar-se um diante do outro; aproximaram-se mais, e j\u00e1 n\u00e3o tinham as pernas cruzadas. De t\u00e3o perto a aconselhava Memnon, e com t\u00e3o suave exorta\u00e7\u00e3o, que pouco depois n\u00e3o falavam mais de afli\u00e7\u00f5es e n\u00e3o sabiam o que tinham ido ali fazer.<\/p>\n<p>Nesse interessante momento, como bem pode ser imaginado, quem chegou se n\u00e3o o tio? Vinha armado da cabe\u00e7a aos p\u00e9s, e a primeira coisa que disse foi que sacrificaria imediatamente, como era justo, o s\u00e1bio Memnon e a pr\u00f3pria sobrinha; a \u00faltima a afirmar foi que estava disposto a perdoar mediante polpuda quantia. Memnon foi obrigado a comprar a pr\u00f3pria liberdade com todo o dinheiro que possu\u00eda no momento. Naqueles dias se conhecia a felicidade da f\u00e1cil liberta\u00e7\u00e3o. A Am\u00e9rica n\u00e3o fora descoberta, e as senhoras aflitas n\u00e3o eram t\u00e3o perigosas quanto s\u00e3o as de hoje.<\/p>\n<p>Coberto de vergonha e confus\u00e3o, retirou-se Memnon para sua casa; l\u00e1 encontrou um convite para jantar com um de seus amigos \u00edntimos. \u201cSe eu ficar s\u00f3 em casa, pensou ele, ficarei todo o tempo a martirizar o esp\u00edrito com esta triste aventura, n\u00e3o serei capaz de comer migalha, e acabarei doente. \u00c9 prudente, pois, que eu v\u00e1 ver os meus amigos e partilhe com eles de um frugal repasto. Esquecerei, com os encantos da companhia, a tolice que tive, a fraqueza de praticar hoje de manh\u00e3\u201d. E foi \u00e0 festa; l\u00e1 sentiu-se indisposto, e pediram-lhe para beber e p\u00f4r de parte os cuidados. Um pouco de vinho, bebido com modera\u00e7\u00e3o, conforta o cora\u00e7\u00e3o de Deus e do homem: assim raciocinou o fil\u00f3sofo Memnon, e acabou embriagado. Depois da refei\u00e7\u00e3o, algu\u00e9m prop\u00f4s o jogo. Um joguinho com amigos \u00edntimos \u00e9 inofensivo passa-tempo. Jogou e perdeu tudo o que tinha na carteira, e quatro vezes mais, sob palavra. Em dado momento do jogo, surge uma discuss\u00e3o, os contendores se acaloram, e um dos amigos \u00edntimos atira-lhe \u00e0 cabe\u00e7a uma caixa de dados, al\u00e9m de esmurrar-lhe um olho. Embriagado e sem n\u00edquel, levam para casa o fil\u00f3sofo Memnon que sentia ainda o desfalque de uma vista.<\/p>\n<p>Dorme ele a sua orgia, e quando sente mais l\u00facido o entendimento manda o criado \u00e0 casa do Recebedor Geral das Finan\u00e7as de N\u00ednive, a fim de sacar pequena import\u00e2ncia com que pretende pagar a d\u00edvida de honra assumida com os amigos \u00edntimos. Volta o criado e diz-lhe que naquele mesmo instante fora o Recebedor Geral declarado em fal\u00eancia fraudulenta, e que com isso tinham sido reduzidas \u00e0 pobreza e ao desespero centenas de fam\u00edlias. Memnon, quase fora de si, p\u00f5e um emplastro no olho e uma peti\u00e7\u00e3o no bolso, e corre \u00e0 justi\u00e7a para pedir interven\u00e7\u00e3o do rei contra o falido. No pal\u00e1cio encontra-se com in\u00fameras senhoras em excelente disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito, todas vestidas de saias de arcos de vinte e quatro p\u00e9s de circunfer\u00eancia. Uma delas, que o conhecia, olha-o de soslaio e brada:<\/p>\n<p>\u201cOh! Que monstro horr\u00edvel!\u201d E outra, mais bem relacionada com o fil\u00f3sofo, chega-se a ele com estas palavras. \u201cBom dia, sr. Memnon. Folgo em v\u00ea-lo t\u00e3o bem disposto. Ah! Como perdeu o olho, sr. Memnon?\u201d E girando no calcanhar afastou-se sem esperar resposta.<\/p>\n<p>Memnon escondeu-se num canto e esperou a hora de atirar-se aos p\u00e9s do monarca. Chegou enfim o momento. Tr\u00eas vezes beijou o ch\u00e3o, e entregou o seu requerimento. Sua Majestade recebeu-o muito favoravelmente, e passou o papel a um dos s\u00e1trapas, para que lhe desse seu parecer. O s\u00e1trapa agarra Memnon, leva-o para o lado, e diz-lhe com ar altivo e um arreganho sat\u00edrico:<\/p>\n<p>\u201cOu\u00e7a, seu caolho, voc\u00ea me parece um grande impertinente, para dirigir-se ao rei em vez de falar comigo, e mais ainda por se atrever a pedir justi\u00e7a contra um honesto falido, a quem protejo, e que \u00e9 sobrinho da dama de companhia de minha senhora. N\u00e3o se envolva mais neste neg\u00f3cio, meu bom amigo, se quiser poupar o olho que lhe resta\u201d.<\/p>\n<p>Memnon, que, havia pouco no seu quarto, renunciara \u00e0s mulheres, aos excessos da mesa, ao jogo e \u00e0s controv\u00e9rsias, e que especialmente determinara jamais ir \u00e0 corte, no espa\u00e7o de vinte e quatro horas fora ludibriado e roubado por sedutora dama, embebedara-se, jogara, numa querela perdera um olho, e comparecera \u00e0 corte, onde o insultaram e maltrataram.<\/p>\n<p>Petrificado de estupefa\u00e7\u00e3o, o cora\u00e7\u00e3o varado de m\u00e1goas, voltou Memnon para casa, em desespero. Ia entrar, quando foi repelido por oficiais de justi\u00e7a que lhe carregaram a mob\u00edlia para compensa\u00e7\u00e3o dos credores: deixou-se cair sob um pl\u00e1tano, quase sem vida. Encontrou a\u00ed a linda mulher da aventura matinal, a qual conversava com seu estimado tio e ambos explodiram em gostosa gargalhada ao avistar Memnon com o emplastro. Caiu a noite, e Memnon preparou seu leito num monte de palha perto de sua casa. Atacou-o a febre intermitente, e ele adormeceu num dos acessos, quando lhe apareceu em sonho um esp\u00edrito celestial.<\/p>\n<p>Era todo resplandescente: tinha seis asas vistosas, mas nem p\u00e9s, nem cabe\u00e7a, nem cauda, n\u00e3o havendo nada com que ele se assemelhasse.<\/p>\n<p>\u2013 Quem \u00e9s? \u2013 perguntou Memnon.<\/p>\n<p>\u2013 O teu anjo da guarda \u2013 replicou-lhe a apari\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Devolve-me ent\u00e3o o meu olho, minha sa\u00fade, a fortuna e o entendimento que perdi \u2013 implorou Memnon; e contou-lhe como tudo perdera em um s\u00f3 dia.<\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o aventuras que nunca nos esquecem no mundo onde vivemos \u2013 disse o esp\u00edrito.<\/p>\n<p>\u2013 E que mundo habitas? \u2013 perguntou o aflito homem.<\/p>\n<p>\u2013 Minha terra natal \u2013 replicou seu interlocutor \u2013 fica a quinhentos milh\u00f5es de l\u00e9guas distante do Sol, numa pequenina estrela perto de S\u00edrius que daqui se pode ver.<\/p>\n<p>\u2013 Encantador pa\u00eds \u2013 exclamou o fil\u00f3sofo. \u2013 E n\u00e3o h\u00e1 realmente mulheres vis para enganar um pobre diabo, nem amigos \u00edntimos que nos roubem o dinheiro e nos arranquem os olhos a murros, nem fal\u00eancias fraudulentas, nem s\u00e1trapas que escarne\u00e7am de n\u00f3s ao mesmo tempo que nos negam justi\u00e7a?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, \u2013 disse o habitante da estrela \u2013 nada disso que falaste temos l\u00e1; as mulheres n\u00e3o nos ludibriam, porque as desconhecemos; \u00e0 mesa n\u00e3o cometemos excessos, porque jamais comemos ou bebemos; n\u00e3o sabemos o que s\u00e3o fal\u00eancias, porque n\u00e3o possu\u00edmos ouro nem prata; nem nos podem arrancar os olhos a bofetadas porque n\u00e3o temos, como os teus; e, por sermos todos iguais, n\u00e3o existem l\u00e1 s\u00e1trapas, que nos fa\u00e7am injusti\u00e7as.<\/p>\n<p>\u2013 Senhor, \u2013 atalhou Memnon \u2013 sem mulheres e sem comer, como passais o tempo?<\/p>\n<p>\u2013 A vigiar \u2013 disse o g\u00eanio \u2013 os outros mundos que nos s\u00e3o confiados; e eu aqui estou para consolar-te.<\/p>\n<p>\u2013 Ai de mim! \u2013 lamentou-se o fil\u00f3sofo \u2013 porque n\u00e3o vieste ontem para impedir que eu praticasse tantos despaut\u00e9rios?<\/p>\n<p>\u2013 Estive com Hassan, teu irm\u00e3o mais velho \u2013 replicou a celestial criatura. \u2013 Ele merece muito mais piedade do que tu. Sua Majestade benevolent\u00edssima, o Sult\u00e3o das \u00cdndias, em cuja corte ele tem a honra de servir, mandou-lhe arrancar os dois olhos por insignificante indiscri\u00e7\u00e3o; e est\u00e1 agora num calabou\u00e7o, m\u00e3os e p\u00e9s cobertos de grilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 de fato uma felicidade \u2013 disse Memnon \u2013 ter-se na fam\u00edlia um anjo bom, quando um irm\u00e3o \u00e9 cego de um olho, e outro de ambos: um a dormir na palha, jogado o outro num calabou\u00e7o.<\/p>\n<p>\u2013 Tua sorte mudar\u00e1 \u2013 declarou o animal da estrela. \u2013 \u00c9 uma verdade que nunca mais recobrar\u00e1s a vista, mas afora isto, ser\u00e1s suficientemente feliz se tirares da cabe\u00e7a a id\u00e9ia de ser fil\u00f3sofo perfeito.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 isso, ent\u00e3o, coisa imposs\u00edvel? \u2013 indagou o outro.<\/p>\n<p>\u2013 T\u00e3o imposs\u00edvel quanto a sabedoria perfeita, a for\u00e7a, o poder ou a felicidade perfeitos. N\u00f3s, ao menos, estamos longe disso. H\u00e1 em verdade um mundo onde tudo \u00e9 poss\u00edvel; mas nos cem mil milh\u00f5es de mundos dispersos no espa\u00e7o tudo caminha gradualmente. H\u00e1 menos filosofia e menos prazeres no segundo do que no primeiro, menos no terceiro de que no segundo, e assim at\u00e9 o \u00faltimo da escala, onde s\u00e3o todos completamente loucos.<\/p>\n<p>\u2013 Receio \u2013 disse Memnon \u2013 ser o nosso pequeno globo terr\u00e1queo o manic\u00f4mio desses cem mil milh\u00f5es de mundos dos quais tive a honra de ouvir refer\u00eancias.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o \u00e9 bem assim \u2013 respondeu o esp\u00edrito \u2013 mas \u00e9 quase: tudo deve estar no seu devido lugar. \u2013 Mas certos poetas e fil\u00f3sofos n\u00e3o t\u00eam ent\u00e3o raz\u00e3o quando nos dizem que tudo est\u00e1 pelo melhor no melhor dos mundos?<\/p>\n<p>\u2013 Eles t\u00eam raz\u00e3o \u2013 respondeu o fil\u00f3sofo celestial \u2013 mas quando consideramos as coisas relativamente ao universo inteiro\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Oh! Pois nunca mais acreditarei em nada disso, enquanto n\u00e3o recuperar o olho perdido \u2013 replicou o infortunado Memnon.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Memnon, certo dia, meteu na cabe\u00e7a ser um grande fil\u00f3sofo. Poucos homens h\u00e1 que n\u00e3o tenham, nesta ou naquela ocasi\u00e3o, concebido o mesmo projeto insensato. 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